quarta-feira, outubro 30, 2002

Continuo tentando ser eu. Nem sempre é fácil. Mas não tenho medo de ser feliz com o novo presidente. Fiquei emocionada com a festa petista e também com a entrevista ao JN no dia seguinte, com o brilho nos olhos de Fátima e William. Um amigo virtual me qualificou de “confuciana”. Sim. Com tudo por que passei até hoje, ainda sou esperançosa e otimista. Acredito que Lula vá batalhar pelo fim da fome, sim!

Esqueci de contar que na sexta-feira fui ver a exposição sobre a China, na Faap. Também fiquei emocionada. Estranha a sensação de ver antigas obras de arte, pensar nos guerreiros de terracota. O pensamento realmente voou ao refletir sobre as idéias que podem ter povoado os artistas da época, os donos do poder. Como em todas as civilizações, aquela necessidade de preservar as conquistas e a posição deste mundo num suposto além.

Depois da exposição, fomos ao shopping, onde jantamos no Viena. Passeamos, olhamos vitrines e meu amigo me presenteou, antecipadamente, com um livro que tem tudo a ver comigo: “Vida íntima das palavras”.

Sempre que vou a esses lugares, fico pensando como tudo poderia ser diferente em outra companhia...


domingo, outubro 27, 2002

Quarta foi aniversário de minha amiga Rita. Ela me intimou a ir a um barzinho em Moema, onde comemoraria. Justamente no dia em que combinei de encontrar Julius! Comentei o detalhe e ela ficou botando lenha na fogueira para que o levasse. A idéia me empolgou, mas fiquei sem saber como dizer isso a ele. Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Tive medo de espantá-lo, parecendo que o forçava a assumir algo. Tentei falar naturalmente, na terça à noite. Disse que tinha um compromisso inadiável. Ele se atrapalhou, disse que o dia seria puxado para ele, então, poderíamos nos ver na quinta. Quando estava a caminho da festinha, não resisti e liguei pra ele. (Por isto digo que sempre vale a pena tentar, apelar pra sorte). Ele estava vindo naquele momento para SP. Vinha mostrar um projeto pro sócio. Disse que me ligaria quando terminasse a reunião. Dali a uma hora, o celular tocou. Queria saber o endereço e até que horas ficaria lá. Dali a mais uma hora, novo telefonema. Disse que estava na esquina. Pediu pra sair lá fora. Perguntei se não ficaria. Disse que não poderia se demorar. Mal me despedi do pessoal e corri ao encontro dele. Achei que ganharia só uma carona pra casa. Mas, que nada! Há tempos que não tinha uma noite tão intensa. Na verdade, foram pouco mais de duas horas, mas o suficiente pra eu ficar quebrada por dois dias! Acho que foi o “Lichia Paradise”. Vejam o que ele escreveu:

Você com um ligeiro gosto de álcool na boca, foi gostoso....o mesmo cheiro, o mesmo sorriso, o mesmo prazer.. intenso, explosivo, indescritível... mas assim são as coisas do coração, do tesão, do prazer... um sorriso nos lábios quando nos lembramos...

segunda-feira, outubro 21, 2002

Para a posteridade, quero deixar aqui uma cópia de e-mails muito inspirados que recebi de meu grande amigo, passeando pelo Rio de Janeiro. Ele é fantástico. Mas, nestes dias de férias, sinto-o especialmente sensível.

Agora estamos no momento mágico do crepúsculo, quando o sol empresta seu dourado para as sensuais curvas das montanhas do Rio de Janeiro. Não é coincidência que a cidade é muito sensual: as curvas se repetem na faixa de areia, nos calçadões, nas ondas do mar e, para os mais detalhistas, nas folhas e nas nuvens, poucas, que enfeitam um céu quase sempre azul.
Gosto do Rio tanto o cosmopolita e cultural da zona Sul quanto o suburbano e provinciano da zona Norte. Adoro ver as casinhas simples e antigas, com forte característica lusitana, sombreadas por vigorosas mangueiras e jaqueiras. Quase sempre repletas de frutas, lembrando uma fartura muitas vezes esquecida. Estão lá, vivendo.
Mas sinto que esses dias de Paraiso, com adões malhados e evas saradas, desfilando suas belezas impudicas pelas areias das praias e pelos corredores dos shoppings estão terminando. Sinto já uma certa impaciência em retomar aqueles velhos projetos que nunca se desenvolvem. Será que preciso voltar? Cansa ficar sempre querendo recomeçar e recomeçar e não verificar nenhuma mudança. Acho que cansa também tomar decisões. É algo que, definitivamente não quero tomar nas próximas 24h.
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Ontem não tive oportunidade de chegar perto do computador. Afinal, aqui no Rio, decidiram emendar o feriado de sábado, dia de Nossa Senhora Aparecida, com o de terça-feira, Dia do Professor. Assim, as aulas de meus sobrinhos só começam na quarta-feira. As praias, cheias de gente bonita. Enfim, o Rio e os cariocas continuam os mesmos...Vai,você em São Paulo decidir emendar um feriado que cai no Sábado com o "Dia dos Professores" da terça-feira...
Adorei sua sugestão de site. As crianças vão adorar. Sinto-me aqui um pouco como no antigo Egito: adoram o gato. A "pessoa" mais bem tratada e mimada da casa. Só faltam render tributos ao gato da casa, o Pipo. Ele é extremamente calmo e pouco mia. Engordou muito desde a última vez que estive no Rio. Adora entrar em caixas e saquinhos plásticos.
Neste final de semana conseguimos uma caixa relativamente ampla para construirmos uma maquete do Teatro Municipal do Rio (que ainda não terminamos) e não é que o Pipo resolveu "alugar" a caixa? Tudo bem, depois da exposição de maquetes, ele será o único gato do Rio que terá uma réplica do Municipal como residência. Isso se meus parentes não aceitarem minha idéia de comprarem uma pequena casinha de cachorro para o gato. Eles adoraram. Imagina, um gato de apartamento dormindo em uma casinha de cahorro!
Pelo seu e-mail, percebo que você está mais animada. Fico feliz. Obrigado também pela dica com respeito ao e-mail.
Também estou preocupado com minhas plantas, ou o que resta delas, devido a intensa onda de calor que tem assolado a região sudeste. Também tenho torcido para uma frente fria. No Rio, apesar do intenso calor, há uma agradável brisa soprando.
Agora vou tomar meu café da manhã e, render tributos ao gato...

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Hoje a tarde no Rio está extremamente quente, sem uma nuvem no céu. Linda e quieta. Sem vento.
Como passou o feriado? Espero que tenha saído e se divertido muito. Por aqui, fomos ao shopping, fomos ao shopping e, nas horas vagas, fomos ao shopping.
Brincadeira. O Rio realmente é muito bonito, até as plantas parecem mais verdes e viçosas. Que se dirá das pessoas...É claro que a pobreza avança a olhos vistos nas vias de maior tráfego. O que ontem era um terreno baldio, hoje é um edifício-colagem, caótico de quartos, salas e corredores tortuosos, varaus e galinhas.
O trânsito também não está tão diferente de São Paulo. Embpra minha irmã tenha reclamado muito do calor, estranhamente, eu e minha mãe temos o considerado mais suportável do que o clima em São Paulo. Mal sabem os cariocas o que é o microondas que nossa cidade quatrocentona está se transformando.

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Ontem visitamos um novo shopping na Barra que soube utilizar a mão de obra carioca, especialidade em criar magníficos carros alegóricos para o Carnaval, para reproduzir com muito bom gosto, réplicas de pontos turísiticos de Londres, Paris e Veneza. Embora as lojas sejam um pouco fraquinhas, o conceito de um shopping aberto e com as alamedas lembrando de forma "fake" aquelas cidades do Velho Mundo, acaba tornando-se um passeio agradável. Principalmente quando você encontra atores representando Napoleão, Josephine, caçadores de troféu ingleses carregados na jaula com gigantes gorilas, etc.
Acredito que amanhã devo retornar a S. Paulo, embora ainda não tenha idéia da hora em que partiremos. Fico triste, por um lado, mas preciso retomar minha vida por aí.
Espero que esteja tudo bem com você, embora seu riso maroto tenha me colocado uma "pulga atrás da orelha".
Vamos ver se conseguimos nos encontrar ainda nesse período de férias e dar boas risadas.
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Terça-feira encontrei Julius no shopping. Foram pouquíssimos minutos.queria parar o relógio, queria segurá-lo mais. Andamos em círculos, nos atrapalhamos pra tomar café. Fomos a dois caixas eletrônicos. Ele me apertando na escada rolante, me beijando a nuca, me puxando pra ficar perto dele no quiosque do banco, disse: “Não quero você longe, nem um pouco”. Fico com o coração apertado. Veio ver um trabalho novo e acho que foi maior furada. A outra tentativa, em Campinas, também está dando zebra. Mas ele não se queixa, só conta um pouco quando pergunto. Do mesmo modo, não fala muito dos problemas com a família. Está certo ele de não ficar despejando as coisas. Fico um pouco curiosa, queria saber mais. Mas sei que é melhor assim. Já basta a outra experiência que eu tive, de me envolver com alguém que dobrou a carga dos meus ombros, que aumentou a minha tristeza...

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Na quinta-feira, Nik@ me contou que arrumou um novo amigo. Me passou um trecho do e-mail que recebeu. E adivinhem só... O Budista! Nossa, esse homem me deixa maluca de tanta curiosidade! Preciso descobrir qual é a verdade! Uma loucura fascinante!

quinta-feira, outubro 10, 2002

Ultimamente não consigo falar só de coisas boas. Tá difícil...

Vejam o que escrevi para meu grande amigo Eduardo. Logo a seguir, a resposta dele. Mas tentei enviar meu recado a mais gente. Uns não entenderam, outros me ignoraram... Fábio também ouviu meu apelo e me escreveu. Duas vezes. Uma ontem à noite, em pleno trabalho às 21h. Fiquei emocionada. Chorei de novo. Mas levantei a cabeça. Mas continuo me irritando. Com os que pensam que eu não sou PT e com os que têm certeza que eu sou PT. Que droga!

Nessa confusão toda, não consegui contar nada a Julius. Dois desencontros... Vamos ver na segunda...


Estou agoniada. Não sei bem se é o calor, o resultado das eleições ou o que. Acho que o clima geral, de baixo astral, está me conduzindo. Estou tentando levantar a cabeça e trabalhar. É duro lidar com humor quando a gente está sem humor algum, ou melhor, de muito mau humor.
Comecei mal a semana, ao ligar pro Alberto. Havíamos ficado de nos ver no dia da eleição, mas eu não o procurei pois senti que não seria bom para mim. Sabia que ele votaria no Maluf e no Cunha Bueno. Não estava a fim de discutir o assunto. E dizem que "política, futebol e religião não se discute". Ao mesmo tempo, fiquei me sentindo culpada por não ter forças para prestar um gesto de solidariedade a quem tanto espera de mim. Eu sei que represento para ele muitas coisas positivas. Ele costuma dizer que eu sou hoje o único elo de ligação que ele mantém com o mundo culto e civilizado.
Enfim, na segunda, liguei para o Alberto. Ele começou perguntando se candidatura do coronel Ubiratan por acaso fora impugnada, pois ele tentou votar nele e não conseguiu. E acrescentou que votou no Conte Lopes. Eu fiquei chocada. De repente, numa cena de há uns 23 anos, lembrei-me dele, no apartamento da Pedro Taques, recomendando a votação para Luísa Erundina, para a Câmara Municipal. Foi a primeira vez que ouvi falar de uma fantástica nordestina, formada em Ciências Sociais, e defensora das causas do povo. Votei nela e a minha faxineira também.
Fiquei muito triste. Até chorei, depois de dizer para ele tirar o ódio do coração, não defender a pena de morte e a propagação de mais ódio. E ele ainda comentou do meu irmão, se eu acharia justo se acontecesse alguma tragédia similar ao massacre do Carandiru e ele fosse incriminado como o coronel Ubiratan. Aí, me lembrei de um reveillon que acabou com 3 mortes, em Venceslau, depois da passagem do ano com negociações. Foi consequência de horas de estudos estratégicos para solucionar o problema com menos sangue... A família toda reunida, acompanhando dezenas de telefonemas ao longo da madrugada. E comentei que eu, com tudo que tenho acompanhado, ainda acredito na recuperação do criminoso e procuro fixar na mente as histórias positivas. Citei até o caso de um ex-caminhoneiro, que matou umas cinco pessoas, e é hoje um exemplo de liderança e trabalho na cadeia de minha cidade. Aí, o Alberto falou: "e as família dos que ele matou"? Então eu respondi que não sei dessas famílias e que não seria matando o sujeito ou o deixando em condições desumanas que se reverteria o que ocorreu. O mais importante é que agora ele resolveu mudar e colaborar para possibilitar vida mais digna a outros detentos, que também têm famílias. Lembrei também que no massacre do Carandiru as vítimas foram casuais. Terminei dizendo ao Alberto que ele teve a capacidade de estragar meu dia e talvez a minha semana, contaminando com tanto baixo astral. Ele se desculpou. Eu chorei bastante depois disso.
Lembrei-me de tantas coisas... até da briga que tive com certo “jurista” sobre o tratamento humanitário dado aos detentos.


Sua mensagem foi a única que recebi neste novo e-mail. Signfica que você é uma amiga fiel e que o pessoal de Informática do instituto não sabe escrever "yahoo" de forma correta, já que pensei que o processo de aculturação norte-americana estava mais avançado e só repassei o e-mail por telefone. Resultado: centenas de mensagens importantíssimas, que poderiam até conter o segredo para o sucesso futuro da humanidade, foram para o espaço junto com a família Robson e o Dr.Smith. O Robô foi visto recentemente em um baile funk do morro da Mangueira passando-se por segurança.
Recebi sua mensagem e fiquei surpreso com sua reação às palavras do Alberto. As vezes imagino a amizade como um passeio que se faz a dois. No nosso caso, o passeio é agradável, divertido,cheio de bom humor. Afinal, rimos de nossas mazelas e incertezas como se elas fizessem parte de uma ampla obra literária escrita com certa ironia por Deus. E esperamos que nossas vidas continuem uma comédia leve por muitos e muitos anos. Afinal, quem gostava de tragédia não eram os gregos? Aqueles homens que andavam de sainha e... deixa prá lá.
Mas acho que você não deve ficar triste. O Alberto talvez esteja tão envolvido no labirinto que criou que nem o fio de Ariadne o ajudaria a sair no momento.Espero que ele sobreviva ao encontro como Minotauro. Talvez até já se tenha transformado nele, já que você observou a mudança pela qual ele passou nesses anos. Você tentou mostrar a saída do labirinto mas talvez ele não queira sair. Já pensou nisso?
Toque sua vida com prazer. Seja a adorável Sue Lee de sempre. Seja a adolescente danadinha que apronta em silêncio e fica depois dando risinhos tímidos. Seja a Suely destemida e corajosa que saiu de Bragança para mergulhar na cidade grande, ou pelo menos na Santa Cecília ou Santa Ifigênia. Seja a Suely admirável, prestativa, responsável, inteligente, generosa e acima de tudo, bem humorada.
Você é muito mais que esses problemas rotineiros e mesquinhos que surgem para dar um tempero à vida. Portanto, olhe pela janela, veja o lindo dia que está fazendo, veja como a cidade, uma vida coletiva, vai se arrastando e digerindo o dia. Veja com carinho sua filha e como, em muitos momentos, ela te deixa orgulhosa mesmo que você não queira. Veja o carinho e a compreensão de seu marido e o caminho que já trilharam juntos e as risadas que forneceram ao mundo. Quantas pessoas tristes não sorriram por meio e graça de vocês.
Pense na força e energia que possui para transformar o mundo. Ou pelo menos a sala ou a mesa de trabalho. Mas também vá ao seu tempo e não se cobre por aquilo que está além de sua responsabilidade.
Um abraço ensolarado e com brisa de mar para você

quarta-feira, outubro 09, 2002

Fiquei aborrecida com as eleições sim. Não com os resultados do executivo. Mas porque eu havia planejado um dia legal com um amigo de há muitos anos, apesar de ele ter me dito que votaria no Maluf e Cunha Bueno. A gota d´água foi coronel Ubiratan e Conte Lopes. Meu amigo está numa pior. Defende as chacinas e a pena de morte. Tento compreender que as dificuldades da vida endurecem as pessoas. Mesmo assim, não consigo compreender quem defende a pena de morte quando já teve pessoas da família assassinadas. Essa discussão em plena segunda quase me estragou a semana. Agora estou seguindo a tática de desabafar para eliminar o problema. Estou triste.
Também me desanima a maneira como pessoas que têm uma vida mansa, nada com que se preocupar, ficam paranóicas diante de possíveis problemas com a mudança de governo. E ficam enviando e-mails espalhando terror. Esperam o quê? Que mude minha suposta intenção de voto e ainda possa dar uma guinada nos rumos?

segunda-feira, setembro 30, 2002

Saiu uma entrevista na Veja dizendo que uma das maneiras de combater o estresse ou usá-la a nosso favor é colocar no papel todos nossos grilos, aquelas coisas que aborrecem, que gostaríamos de dizer e não conseguimos. Eu sempre fiz isso, desde minha adolescência, em forma de diário. Depois, meus desabafos passaram para e-mails, direcionados a alguns amigos. Agora é o blog. Mas não gosto de falar de problemas aqui. No fundo, quero ser uma pessoa sem problemas. Claro que isso não existe!
Ontem foi o dia do Nhoque da Fortuna. Fomos almoçar no O Gato que Ri. Unindo o útil ao agradável, fiz materinha sobre o tema. Mas comi demais e fiquei meio grogue.
Pouco antes, tive uma crise de aborrecimentos pois resolvi comentar aqui em casa sobre o fato de algumas pessoas não me passarem o número de celular. No fim, disseram que errada estou eu. Que não é comum as pessoas darem, eu é que teria de pedir. Será? Eu entendo que essas pessoas não dão o número de medo que eu fique enchendo toda hora...

segunda-feira, setembro 23, 2002

Não aguentei.
No sábado, escrevi:

"O que eu sinto?
Sua falta...
Só..."



Ele respondeu:

"E eu sinto...
tua presença preenchendo o ar,
teu cheiro me lembrando como você é doce,
teu brilho me buscando no profundo do espaço..
sideral, visceral, etc e tal...

sinto tuas palavras no teu silêncio,
na tua hesitação em querer perpetuar nos sons
tudo o que sentimos,
toda intensidade,
toda beleza,
toda saudade antecipada....

sinto teu gosto na minha boca,
teus lábios no meu sexo,
minha lingua nas tuas pernas,
umidades, intimidades, prazeres..

sinto apenas que não possa
apreciar tua presença com mais frequência.. "

quarta-feira, setembro 11, 2002


O mundo todo relembrou 11 de setembro... Como dissemos há um ano, todos nos lembraremos do que fazíamos naquele dia. Lembrei-me de que liguei para Julius, ainda morando em Campinas, para comentar a morte do prefeito... Conversamos várias vezes pelo celular, enquanto testemunhávamos pela tv... Estava aqui, com minha família, e nao consegui controlar o impulso, a vontade de saber o que ele achava. Senti que era recíproco. Eu fiquei sabendo quando liguei pro pessoal de lá, pra ver se eles trabalhariam no dia. Um dos desenhistas falou: "tá vendo tv? liga". Imaginei que estivessem caçando o assassino pelas ruas, com transmissao ao vivo. Liguei a tv bem na hora em que acertavam a segunda torre. Custou a cair a ficha. Não consegui mais trabalhar no dia. Desde a rebelião, em fevereiro, e depois o sequestro da filha de SS, vi tudo com o coração na mao.

Estou estranhando o sumiço do meu amigo Cuiabano, um árabe em NY. Naquele dia, liguei pra família dele, aqui em Rio Verde. Ele ficou direto na net, embora nao conseguisse telefonar. Fiquei emocionada com o relato dele... olhando tudo ao vivo, de Manhatann. Diferente de ver pela tv. Era uma pessoa "real", um amigo meu, que estava lá, in loco. Eu só falei pra ele nao ir pra rua. Seria perigoso demais, na situação dele. Em nenhum momento ele reclamou de perseguições. O chato foi que o pai dele morreu uma semana depois, em Jerusalém, e ele nem pôde ir para lá.

segunda-feira, setembro 09, 2002

Desde a semana passada, estou tentando transferir este blog ou criar um novo no site da Globo. Mas... nada.. Tenho cadastro lá, com meu nominho verdadeiro, desde que o site entrou no ar... e nadá. Dá página inexistente. Que droga! Melhor ficar por aqui.. Afinal, em time que está ganhando, nao se mexe, não é mesmo?

Esta noite tive outro sonho detalhado. Ia escrever "estranho", mas até que não foi tão estranho. Sonhei com minha amiga Ângela, que mora em Campo Grande. Ela ficou de aparecer em Sampa em julho e nunca mais tive notícias. Nosso último contato foi por telefone, em junho. No meu sonho, a coitada tinha largado o marido e os dois filhos (acho que têm 10 e 9 anos) para voltar a morar aqui, no apartamento que ela tinha quando solteira, na Nestor Pestana.Na vida real, o apê era alugado, mas no sonho, era dela mesma e ela o mantivera desocupado todos esses anos (uns 12) para essa eventualidade. Sei que a reencontrei na av. São Luiz e ela estava finalmente aliviada de ter se livrado daqueles três (marido e os dois filhos).

Hoje tá frio, chove.. mas, apesar da chua, o tempo parece estranhamente seco.

Tava demorando a acontecer. O ex-Lament@vel, ex-Mini-monstro e ex-Infame detonou o blog outra vez. Eu acho que ele passa o endereço, mostra o texto e depois de arrepende. Agora, só aguardar novo e-mail, comunicando novo endereço. Pára com esse suspense, rapaz!




terça-feira, setembro 03, 2002

Ontem fui conhecer (no sentido bíblico.. eh, eh, eh...) o novo amigo. Estávamos os dois aqui sem companhia, sem muito que fazer. Então... Lá fomos. Bom.. não foi ruim. Detalhes anatômicos o favoreceram bastante. Mas também não foi bom. Que droga! Comparações inevitáveis. Completamente sem emoção. Pudera.. Como ter emoção? Na despedida, ele disse: "adorei estar com você". Eu não consegui mentir e falar: "eu também". Acho que ele percebeu. Mas é uma pessoa bacana. Não consegui ser falsa. Mas pode ser que tenha jeito ainda... Enfim, queria desencanar um pouco, experimentar novas emoções. Não deu certo.

domingo, setembro 01, 2002

Não tive tempo de postar.. Mas aconteceram muitas outras coisas. Meu irmão de Minas sofreu um acidente feio. Foi tentar parar um trator que saiu do calço e se esfolou todinho. Foi há quase uma semana. Minha sobrinha ligou chorando. Eu levei um baita susto. Achei que ela tava fazendo que nem na piada do portuga, falando: "meu pai caiu do trator..." Mas foi mais o susto. Ele passou por cirurgia plástica e deve tirar os pontos amanhã. Pra variar, coube a mim a incumbência de avisar o resto da família.Eu estava fazendo as malas pra viagem, mas no fim desisti. O acidentado disse que não quer que ninguém o veja pois tá muito feio. Houve um lance tragicômico. A primeira notícia foi de que ele tinha esmigalhado o nariz. Quem falou foi o médico. Mas foi um equívoco. É que o doutor mineiro nunca tinha lidado com japonês.. eheheheh...

Julius mandou e-mail ontem. Entre outras coisas, disse: "meu melhor presente foi sua presença: forte, deliciosa"
Foi o bastante para iluminar meu final de semana. É sinal de que ele está bem, feliz como eu. Ele escreveu bem na hora em que eu pensei em ligar. Cheguei a sair com cartão para procurar um orelhão. Ia ligar do orelhão para não dar bandeira. Vai que alguém visse meu nome no visor... Mas achei que poderia ser inconveniente e desisti. Quando cheguei em casa, na hora do almoço, o e-mail dele entrou. Desde que viramos um "caso", paramos com a rotina de trocar e-mails. Só assuntos "técnicos", formais... Então, quando ele manda recado, é porque tem algo muito especial. Ou pelo menos eu acho...

quinta-feira, agosto 29, 2002

O que era pra ser café da manhã de hoje acabou sendo antecipado para ontem. Cheguei antes do trânsito ficar ruim e tivemos uma tarde deliciosa. "As dúvidas se esmaecem entre os suspiros..." - disse ele. Muitos suspiros, momentos de silêncio significativo. Mãos que se procuram, apertam, não querem se soltar. Línguas que se buscam o tempo todo. Sentir que nada do que possamos dizer tem sentido diante do que vivemos. Meus olhos se enchem de lágrimas quando me lembro de certos detalhes. Fico embevecida, boquiaberta, na certeza de que tirei a sorte grande mesmo. Os momentos felizes são poucos sim. Mas todos que temos juntos são felizes. É o que importa.

domingo, agosto 25, 2002

Finalmente, na sexta-feira, conheci alguém bacana. Espero sair agora da maré de micos que vinha pagando. É alguns meses mais novo do que eu e pareceu-me desencanado. Temos muitos interesses em comum. Mas achei-o exageradamente tímido. Até forcei a barra para que pegasse na minha mão, mas não teve jeito...rsrsr.. Almoçamos na Paulista e depois cada um seguiu pra um lado. Ele falou que teria de ir embora logo pois era dia do rodízio. Dali a cinco minutos, ligou. Disse que era apenas para saber se estava tudo bem. Depois disso, veio um e-mail “genérico” ontem cedo e nenhuma notícia. Estou intrigada!
Ah... Meu interesse por ele surgiu quando ele me comparou a Yoko Ono. Fosse há alguns anos, tal comparação seria uma ofensa. Mas, depois de "Dê uma chance à paz", comecei a vê-la com outros olhos... E quando ele falou que adorava Yoko e Jonh, achei que valeria a pena conhecer o cara...

Resisti bravamente à tentação de ligar para Julius. Morro de saudades... Não sei se ele voltou ontem de viagem.



Outro sonho muito estranho. Daqueles que a gente não tem certeza se foi real. A ponta do meu prédio tinha voado pro espaço. Não sei bem o que aconteceu, mas era como se tivessem seqüestrado alguns andares. Eu tinha uma bolsinha preta mas não conseguia me lembrar do modelo dele para localizá-lo no meio de uma montanha de bolsas do pessoal do prédio. Dentro estavam meu celular e minha agenda de telefones. Se eu achasse a bolsa, poderia me comunicar com as pessoas. Tentava me lembrar de alguns números e não conseguia. Me lembrava que não tinha carregador, então tinha de achar rapidinho, antes que se descarregasse. Pedi um fone emprestado a um vizinho e como o aparelho dele era pré-pago e não tinha créditos, eu liguei a cobrar para minha irmã. Quem atendeu foi meu irmão. Expliquei a ele que eu estava vagando pelo espaço. E eu imaginando que estivessem todos preocupadíssimos. Mas, que nada! Ninguém ainda tinha dado por minha falta. Por outro lado, meu irmão estava certo de que eu fora sequestrada por causa dele. Depois, queria falar com Julius, mas não achava minha bolsa e por mais que me esforçasse, não conseguia me lembrar do número dele. E eu estava desesperada para falar com ele, achando que deveria me declarar já que iria morrer. De repente, estava no computador, lendo o trecho de um e-mail que ele me mandou (que li ontem), em que dizia: “as dúvidas se esmaecem sob os suspiros”. No meio dos figurantes desse sonho estava Cris, minha amiga de adolescência a quem revi há pouco mais de um ano. De repente surgiu uma chance de sermos resgatados, passando para uma nave espacial, e eu não achava minha bolsa, não conseguia recolher meus pertences. Outras pessoas, inclusive minha filha, ajeitavam tudo numa mochila e iam por uma passagem estreita, rumo ao salvamento. Aí, acordei me lembrando como era minha bolsa. Ao contrário do que vinha imaginando, com longa alça a tiracolo, era de alcinha curta, com porta-celular externo. Aí, pensei: achei minha bolsa, tô salva! Só então, percebi que estava acordada.

sexta-feira, agosto 16, 2002

A frase de costume: quantos dias sem blogar! Amanheci na segunda com baita enxaqueca. Havia começado no sábado, mas mesmo assim fui dar uma volta embaixo deste tempo louco, muito seco e de calor em pleno final de inverno que nem começou. Terça-feira, nem tive forças para almoçar com Julius. Para me animar, marquei de estar lá na quarta cedo. Madruguei, tomei um banho de sal grosso, passei cremes contra a dor, monte de comprimidos. Mesmo meio anestesiada, voltei nas nuvens, como sempre. Dá pra explicar essa magia? Ahhhhhhhh..

quarta-feira, agosto 07, 2002

Reproduzo aqui dois e-mails trocados com minha amiga Alice

Oi, Su. Tentei evitar escrever para você porque estou profundamente triste e, por causa da falta de tempo que disponho para expressar minhas emoções, preferia falar ao telefone rapidinho. Liguei para você por volta das três e meia da tarde e você não estava. Espero que você tenha se encontrado com alguém muito especial. Alias, aquele papo com o Fábio de validade de creminho deu asas à minha imaginação. Foi bom até brincar um pouco com os seus segredinhos para aliviar a dor da perda do meu amigo M estrinel. Depois de tantos ensaios, hoje de manhã, fui a dentista (pra variar, minha boca é o foco da sensibilidade)em hora errada. Aliás, período errado. A consulta era 15h30, e eu pensava que era as 10h30. Bem, a dentista me atendeu assim mesmo. Voltando pra casa, resolvi ir até a casa do M estrinel. Estacionei o carro a uns três quarteirões longe da casa porque estava ansiosa e também porque adoro andar por aquela rua. Existe defronte à casa dele um terreno enorme com um muro igualmente grande todo revestido de heras e alguns vasos de petúnias que o próprio Me s trinel havia plantado. Ele adorava plantas. Não havia ninguém na casa dele, mas ele continua muito presente na cor amarela da fachada da casa, no carro na garagem, e, claro, no jardim. Bem, fui a casa do vizinho, que alias parece at[e que estava me esperando. O tal vizinho estava lavando a garagem. Da[i me apresentei como amiga do M es trinel e perguntei se ele tinha notícias dele. Ele foi discreto, puxando conversa como se quisesse me preparar para a surpresa triste, que para mim não passava de uma confirma;'ao. Bem, ele se foi n'ao sei que dia nem mês. O cara só disse que o Mestrinel deve ter morrido há uns três meses. Mas que os filhos têm estado na casa. Pelas minhas contas, o Mes tri nel tinha cinco filhos - o Rafael, o Ped rinho (já moço), duas filhas que moravam com a mãe na Suíça,e a Cla ra, a caçula. Pois é, de novo deixei me consumir pelo tempo. Como é doloroso perder amigos. Já tenho tão poucos. Posso arranjar tempo para conquistar novos amigos, mas nada se compara com os velhos amigos. Minha velha amiga, se cuide,viva a vida Não vou perdoar mais ninguém que for embora para sempre. Chega de separações. Saudade dói muito.

"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."
William Shakespeare


Deparei esta manhã com a frase acima em um jornal do Rio. Logo, me lembrei
de você. Há muitos momentos em que não há palavras adequadas. Só o tempo, o passar
dos dias talvez amenize um pouco. Depois, a saudade continua, mas já sem
dor. Pelo menos eu tento ver as coisas desse modo. Quase todos os dias me lembro dos meus irmãos. Vez ou outra, sempre que vejo colegas, também me vem à cabeça a imagem da Ju. Ontem conversei com minha sobrinha Luciane pelo MSN. Ela me falou dos planos de ir no Dia dos Pais ao cemitério. Durante mais de 15 anos, eu também cumpri esse ritual. Já se passaram mais de 23 anos que meu pai se foi. Sempre me lembro dele com
saudade maior no Dia dos Pais. Paradoxalmente, minhas idas ao cemitério
rarearam um pouco depois da morte de meus irmãos. Ir "visitar" meu pai era
diferente. A morte dele foi relativamente natural, em decorrência de
hipertensão e derrames. Já meus irmãos... São pessoas da mesma geração, parecem parte de mim. Os amigos também... Nossa... o fato de termos perdido amigos é muito
estranho... A primeira amiga que eu perdi tinha 15 anos. Sandra Gesuatto.
Lembro-me dela até hoje. A cena do velório. Ela num caixão branco, vestida
de noiva. Morreu em um acidente quando aprendia a dirigir, com o namorado.
Depois dela, foi Sandra Tavares. Morreu de câncer antes dos 40. Deixou duas
filhas de 16 e 14 anos. Outro dia, soube que o irmão dela, Guilherme, também
morreu. Não há como deixarmos de lembrar de tantas pessoas queridas que partiram.
Quando me vejo diante dessas lembranças, gostaria muito de ter alguma
crença. Mas não tenho mesmo. Tento entender a eternidade como algo que resta
na memória das pessoas. Vejo, simbolicamente, o paraíso como doces
lembranças que podemos deixar no coração das pessoas que conviveram
conosco... Então, minha querida amiga... O que posso lhe dizer para amenizar sua dor?
Que deixe as lágrimas correrem, lavarem tua alma... Faça sua homenagem
resgatando as melhores lembranças que tiver de Mestrinel. Não lamente por
não ter dado tempo de vê-lo mais uma vez. Importa que quando ele queria,
podia, vocês estiveram juntos o tempo suficiente para se curtirem, para
tanto aprenderem um com o outro.
Mais um sonho esquisito. Só eu sei das causas. Esta noite, sonhei com a família da minha irmã e a Titi, irmã da Ju. Eu estava no final das férias, estudava na Usp e morava em pensão. Estava lavando as roupas na casa da minha irmã, me preparando para o reinício das aulas. Creio que era agosto. Quando me preparava para ir com as malas para a casa de meus pais, meu falecido cunhado chegou. Minha irmã insistiu para que ele me levasse até lá. Então, saí para procurar uma pensão onde passaria o próximo semestre, no bairro de Pinheiros. Fiz parte do trajeto de táxi e creio que peguei ônibus na Rebouças. Procurei por alguma placa entre as casas geminadas da Teodoro Sampaio . A maioria parecia cortiço. Quando passo pela Henrique Schaumann, dou de cara com a Titi. Era ela, só que com feições completamente diferentes. O rosto era bem cheio, lábios muito carnudos, lembrando Lúcia Alves quando moça. Os cabelos eram bem encaracolados. Vestia uma blusa azul. Resumindo: era Titi porque era ela, a irmã da Ju, a filha de dona Joana. Mas fisicamente não tinha nada com ela. Entretanto, eu a reconheci no meio da rua. Ela estava por ali pois viera a um hospital, onde alguém da família (talvez uma as filhas) estava tendo um bebê. Quando parei para conversar com ela, minha irmã chegou com meu cunhado e minha sobrinha. Então eu expliquei que precisava dar atenção a Titi, por isso deixaria minha “mudança” para amanhã. Eu estava ansiosa para contar meus “segredos” para Titi.
Eu sei das causas, das ligações desse sonho doido: o reinício das aulas, a viagem de Julius a Recife (onde mora Titi) e minha conversa ontem com Ângela.

domingo, agosto 04, 2002

Tô p... Anteontem chegou um e-mail legal do Superencontros. Começamos um papo acelerado no msn. Trocamos fotos. Ele me elogiou muito. A conversa estava boa. De repente, parou tudo. Que droga! Não é primeira vez que isso acontece. Eu já deveria estar acostumada. Mesmo assim, fico aborrecida. Muita gente atiça e depois dá no pé. Não sei se esse de hoje estava de pirraça ou o quê...

Ontem liguei pro meu queridíssimo Fábio. Não tinha mais o número dele aqui e localizei o nome na lista, depois de descobrir a empresa que atende o estado dele. Ele completou 40 anos. Foi legal. Senti que ficou feliz com meu telefonema. Pena que ele continue sem Internet. Baixou baita saudade... Nossa, como era bom quando a gente conversava quase todos os dias pelo Freetel! Daqueles gloriosos tempos restaram duas pessoas: Fábio e Ênio. O resto debandou. Não me conformo com o sumiço do meu amigo de Portugal. Deve ter acontecido alguma coisa...

Semana passada, o Carioca deixou recado dizendo que esperava falarmos agora.. Por mais que eu o xingue, confesso que fiquei de olho no icq, esperando que, de repente, ele mostrasse a cara. Sei que iríamos brigar. Mesmo assim, gostaria de vê-lo sim. Mesmo sabendo que eu não passei de uma curiosidade de férias, de realização de fantasia, admito que me virou do avesso. Gostaria de saber qual seria a minha sensação agora. Gostaria de saber se me manteria indiferente como eu acredito que sim.

Que esquisito o ex-Lamentável. Sempre que me dá o novo endereço, pára de postar... Mesmo assim, fiquei feliz em saber que ele me lê. Pena que não me mande e-mails com maior frequência... Em tempo: ele foi o único a me cumprimentar pelo niver do blog.

Nestes dias, estou cercada também por muitos aniversariantes. Além da minha amiga Lúcia, do Rio, tem o "sócio", um vizinho e também um casal de sobrinhos. E em breve, será a vez de Eduardo (que nunca mais leu este blog -- acho que tem medo).

Nem quero falar do tamanho da saudade de Julius. Volta apenas na quarta, de Recife. Ai, ai, ai...


terça-feira, julho 30, 2002

Tantas pessoas com quem deixei de me comunicar nas últimas semanas.

E que saudades do Fábio! Tomara que ele vá até o escritório e receba este e-mail que enviei para ele:

"Não repare que hoje vou escrevo aos borbotões, sem pausa para respirar, imitando Saramago. De repente é bom de ler, seguindo o meu ritmo alucinante de falar, quase perdendo o fôlego. Nos últimos dias, redescobri o quanto adoro escrever e como é gratificante conseguir me expressar. Desde o dia 12 estive às voltas com minha amiga de infância, que veio de N. Jersey com o marido. Semana passada, fui visitar os pais dela, em minha cidade Eles ainda moram a duas quadras da casa onde passei minha adolescência. É uma família muito alegre de italianos. São 9 filhos, sendo 6 mulheres e 3 homens. Eles são católicos atuantes e praticantes, a ponto de se chamarem: Lurdes, Isabel, Maria Amália, Fátima, Ângela, Bernadete, João, Paulo e Francisco. Gostaram muito das revistas de novenas que eu levei. O pai da Ângela tem 87 anos e custou a se lembrar de mim. Sr. Ítalo Schievenin criou os filhos transportando carvão para as caldeiras de Santos. Hoje Paulinho, o caçula, é quem toca o negócio. Quase não reconheci o rapaz, de tão preto que estava (parece piada, né?). Gostei muito de rever o marido da Fátima, o "MiniZé" (nunca soube o nome dele), que continua míni, está muito envelhecido (bebe pra caramba) e é alto executivo da Rede, do qual faz parte a Cia. Elétrica. Diz ele que esteve em Tocantins (antes da criação do estado) para tratar das privatizaçoes, e comentou que esse estado foi o primeiro a privatizar (80 e 20%). Também por conta de distribuição de energia, ele passou temporadas em Belém e Amapá. Nunca pensei que a Companhia, da minha cidade, tivesse atuação tão multiestadual. Contei ao MiniZé que tinha conhecido, pela Internet, um amigo de atuação muito importante em Jageado e agora está às voltas com Peixe. Se ele for pra esse lado, pode crer que vai tentar localizar você, Fábio. Bernadete, a caçula das mulheres, tem um filhinho de oito anos. Um problema grave e raro: amaurose congênita de leber. É uma doença genética do qual nunca ouvira falar. O menino é cego e os rins dele não funcionam. Faz hemodiálise em casa, durante dez horas diárias, mais uma diálise manual. E freqüenta escola comum, fazendo lições no computador, com a ajuda de uma impressora braille. Curioso como toda criança, quando soube que tinha visitas em casa, Lucas disse que queria me “ver”. O pai dele (a quem conheço desde que tinha uns oito anos) me falou que ele queria passar a mão no meu rosto. Ele nunca havia “visto” uma japonesa. Eu me abaixei e expliquei a ele como eu sou diferente das pessoas com as quais está acostumado a conviver. Ele tateou meus olhos, nariz e cabelos. Ao terminar, riu muito e falou: “Nossa, como você é bonita!”. Segurei as lágrimas que inundaram meus olhos. No dia seguinte a esses acontecimentos, Lucas, que estava na fila de transplantes, foi chamado. Um menino de nove anos sofrera um acidente de cavalo, e a família havia doado os rins. Às 21 horas daquela noite, ele entrou na sala de pré-cirurgia e na manhã de sexta foi feito o transplante. Foram muitos vaivéns com minha amiga até o hospital da Unicamp. Dividimos emoções, discutimos a vida, as situações difíceis e os momentos de alegria que partilhamos apenas a distância, ao longo dos últimos 25 anos. Falamos de nossos casamentos (ela está no segundo), nossas frustrações, nossas expectativas. Falei também de você, dos amigos de Internet... De como é importante preservar os amigos verdadeiros e que a gente os conquista a maioria até certa etapa da vida. Na verdade, minha descrição dos acontecimentos para ela foi uma espécie de reflexão comigo mesma. Foi muito bom. Minha amiga seguiu no vôo para New York na noite de domingo. E eu voltei para casa para imprimir um conto para o tal concurso. Ao ler o regulamento com atenção, descubro que o concurso não é para apenas um conto e sim para um livro inteiro! Já que estava embalada, resolvi botar a mão na massa e formatei os guardados que consegui reunir sobre um único tema: “Internet: a nau dos desocupados”. Saíram quase 40 páginas, separadas em seis contos. Estou esperançosa. Ficarei muito feliz com o terceiro prêmio apenas. Recentemente, uma jornalista de São Paulo escreveu um livro sobre “Amor na Internet”. Segundo ela, a chance de um relacionamento virtual dar certo é tal qual a de acertar na megasena. Eu gostaria de ter escrito algo provando o contrário. Ou melhor, contar que, se isso é verdade, eu sou milionária, pois acertei pelo menos duas vezes neste jogo virtual. Posso ter sofrido um pouco com o meu primeiro "caso". Mas hoje paro para pensar e concluo que foi bom. Me fez redespertar para as emoções. Me fez criar coragem para prosseguir na busca. Com sua amizade, apoio e carinho, aprendi também a separar as coisas, ser menos egoísta, a viver mais intensamente.Consegui segurar meu casamento também. Há quase dois anos "Julius" continua sendo meu porto-seguro, meu paraíso. Entretanto, consigo aceitar que nem eu nem ele somos suficientes um para outro. Não vivo meus dias por conta dele. Porém, quando nos vemos, parece que me encho de energia para enfrentar o mundo. Essa maneira de encarar as coisas, devo muito a você, meu queridíssimo amigo. Ah.. se você não vier logo, a validade daquele creme vai vencer, viu? Aí... vou ter de comprar outro. Eh, eh, eh! "

segunda-feira, julho 29, 2002

Consegui!

Com cara-de-pau e muita coragem, decidi participar do concurso de contos da Fundação Cruz e Sousa, de Santa Catarina. Na tarde de hoje, coloquei o material no correio. Deu trabalho cumprir as formalidades: 6 exemplares encadernados em aspiral. Eu acho que tenho chances. Estou prometendo um jantar para todos amigos virtuais, a todos aqueles que me ajudaram a realizar a "obra". Me aguardem!

Ah.. Nesse volume, que considero minha primeira obra de "ficção", incluí apenas historinhas pitorescas. Como falei ao meu amigo Rui, ele e outras personagens - que considero mais importantes - ficaram para o segundo volume, cuja redação está em andamento. Qualquer hora começo a editar.

Ai, como eu sou boba... Do correio, nao resisti e liguei para Julius. Pena que só depois de amanhã poderei contar a ele pessoalmente de todos esses dias.

Tantas coisas que gostaria de ter contado a ele, dos últimos acontecimentos. Não conseguimos conversar. Meu celular pifou.

sábado, julho 27, 2002

Neste mês de julho, descubro que aquela piadinha de que "homem perfeito é gay" está muito perto da verdade. Credo. Tô fora!

Sou preconceituosa SIM!

Gays podem ser amiguinhos (ou amiguinhas), mas na mesma caminha que eu, never!

Giletão, no máximo para irmos juntos ao teatro, ao cinema...

Diz Eduardo que "ser gay não é pecado. Pecado é praticar"!

Logo... Nem todo gay é praticante!

Praticante é o que dá. Uns passam a vida inteira virgem. Conheço muitos assim!

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Semanas sem vontade de escrever. Hoje recebi um recado do Carioca. Disse que saiu de férias e espera conversar comigo. Como há cinco anos, em julho. Foi em julho de 97 que tudo aquilo aconteceu. Hoje rememoro com toda a frieza. Agora fica tudo claro. Claro que eu fui uma bela opção para férias. O que a carência nao faz com a gente, né? Mas, com isso tudo, eu não tive coragem de dizer tudo o que eu penso. Se ele vier para cá, vou esclarecer tudo. Botar em pratos limpos. Quero esclarecer até o fim. Minha memória fotográfica me remete à noite em que, pelo velho Freetel, enviei a ele uma foto de meu marido e minha filha e ele comentou: "Bonitão o seu marido". Lembro-me também de ele ter-me enviado uma foto dele com a mulher. E eu achando que swing e mènage eram coisa de fição. Puxa, como nós, paulistas, somos antigos!

Escrevi aqui de qualquer jeito, só pra nao deixar mais tempo em branco. Para que meus 3 leitores não pensem que eu desisti!

Isto tudo foi um desabafo. Meu coração continua no lugar. Cruzando os dedos para uma semana deliciosa com meu querido Julius. Finalmente! Que saudades!

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Quarta-feira fui a minha cidade encontrar minha querida amiga que veio de N. Jersey. Finalmente conheci o maridão americano que ela arrumou. Descobri que não consigo falar inglês. Eh, eh, eh! Mas sou boa de mímicas.
Contei a ela sobre minha vida secreta. Ela adorou.