Sou feliz, sobretudo com algumas riquezas que acumulei. Uns parcos conhecimentos de assuntos variados, mesmo que não sejam acadêmicos. A ligação que hoje eu tenho com meus irmãos e sobrinhos, que compensam a desolação que sinto ao observar a relação com minha própria filha...E os amigos. Uns muito próximos, presentes em todos os momentos, a quem recorro quando a aflição aumenta. Sempre sou socorrida, resgatada da beira do abismo. Algumas palavras de apoio, estímulo e reconhecimento são mais fortes que outras...talvez por serem pessoas de quem gostamos mais. As de meus irmãos têm muito valor.
Outro dia, no Dia das Mães, fiquei muito emocionada quando meu irmão ressaltou que sou a mais forte de todos. Ainda tento, todos os dias, entender o porquê das coisas.. e também me lembro de minha mãe falando: "e pensar que fiquei desesperada quando engravidei de você"... foi uma maneira de ela me elogiar, eu acho. Ela tinha 41 anos e chegou a me confessar que se soubesse como, teria me abortado. Também não me ofendi com aquelas palavras, nem me choquei. Minha mãe muitas vezes não pensava muito pra falar, embora a máxima dela fosse: "palavras soltas ao vento não podem ser recolhidas"... Bom eu parar por aqui pois pior que palavras proferidas são as tecladas, né..
Acordei esquisita.. mas já me sacudi, fui pro tanque, tomei café, tirei o PP da cama sem bronquear. Noite fria, sono profundo, escapou xixi.. aff... Mas a lembrança daquelas noites geladas no hospital me fazem achar ótima a situação em que vivemos.
É mais um anjo de uma asa. A quem emprestei uma das minhas. E ele me emprestou a dele. Juntos, abraçados, pudemos voar... E vamos seguir adiante!
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Lua cheia, 19 de agosto de 1983 às 15:35 uma criança chorou.
Em casa já estavam todos sentados, aguardando um menino que ia crescer e ser criado como um rei, sem pular nenhuma etapa de sua vida.
Esse menino cresceu andando em tartarugas, brincando debaixo de um pé de limoeiro e sabugueiro. Todos os dias ia com seu avô na padaria comprar uma pacoça e um saquinho de leite. Quando ele voltava, a mãe já não estava mais em casa. Era aquela gritaria, aquele choro desesperador e o medo de nunca mais ver sua mãe. E era um choro tão puro que seu avô até achava graça. O avô entregava o saquinho de leite nas mãos da avó e ia com o menino lá pra atrás da casa, onde ele criava sete tartarugas. Era o único jeito de fazer o menino parar de chorar porque a mãe tinha ido trabalhar. Ele pegava o menino pelos braços e colocava em cima da tartaruga. E o menino, ingênuo, acreditava que a tartaruga caminhava com ele pendurado em seu casco e ria de soluçar.
Quando cresceu mais um pouquinho sua diversão era perturbar a bisavó. Sim, porque ela era filha de índia com português e tinha um sangue esquentado. Sua diversão era pedir moedinhas à ela e quando ela negava recebia o título de bisa pão dura. Isso era o suficiente pra ela correr atrás do menino pra dar uma palmada nele.
Às vezes também, ele deitava no chão pra ver o que tinha debaixo da saia de sua bisa e quando ela não via, ele avisava que estava ali:
“_Toeta (como ela era chamada). Tô aqui ó!” Era a hora que ele tinha que correr muito em volta de um canteiro de 5 pontas que tinha no meio do quintal de sua casa, formando uma estrela.
Sua avó era um doce! Preparava suco de goiaba todo santo dia. Quando ia levar o menino pra escola, às vezes o rosto dele estava sujo de pasta de dente. Sua avó umedecia o dedo com a saliva e passava no rosto dele pra limpar. Aquilo era a morte pra ele! Sua avó o levava ao parque, às praças, a outros estados, junto com sua mãe.
E assim foi crescendo o menino, batizado como “JAIME”, numa homenagem feita por sua mãe à seu avô. Mas foi apelidado de PEDROCA pelo velhinho que lhe venerava. Segundo ele, Pedroca era o nome de um boneco que era muito parecido com seu neto. E foi crescendo o Pedroca mais um pouquinho.
Logo depois resolveu trocar a tartaruga por amigos de verdade. Resolveu brincar com seus bonequinhos de luta debaixo de um limoeiro. E quando somos crianças, um pé de limão pode se tornar uma floresta amazônica. E era assim que o menino brincava. Ele via índios escondidos no meio da mata, tigres ferozes querendo lhe atacar. Mas seus amigos super poderosos lhe guardavam dos perigos da floresta e matavam todos os inimidos com suas espadas.