quarta-feira, outubro 17, 2001

Depois da crise de baixo astral, o telefonema de Julius. Tudo passou!
Por que sou tão paranóica, tão insegura, penso em tantas coisas ruins? Ele nunca me deu motivo algum para questionamentos. Nunca caiu em contradição, nunca me escondeu nada. Mas aí, vem aquele bichinho verde me soprar que ele é um homem de marketing, muito inteligente, astuto etc e tal.

Ele passou o feriado com gripe e ontem ainda estava com a voz alterada. Não aguentei de saudades.
Na hora do almoço, fomos tomar café na Casa do Pão de Queijo, na Santa Efigênia. Mandamos tudo às favas, as normas de "segurança" e ficamos ali, abraçadinhos por uns instantes, no cantinho. Segurei as lágrimas.

Ficamos de nos telefonarmos à noite e combinarmos o que fazer. (isto é, a que horas). Mas botei os pés em casa e comecei a espirrar. Meu nariz fechou instantaneamente, os olhos a lacrimejar.
Aspirinas, vitamna C, Apracur. Tomei todas.
18 horas: decido telefonar, já que ele não dá sinal de vida.
Pelo menos não deu caixa postal.
"Estou em Cotia. Levo uns 40 minutos ainda." -- responde (evidente que tem alguém ao lado)
"E eu estou mal!" - aviso.
Tomei um vickpyrena e dormi.
Pensei que hoje iria ficar na cama. Mas consegui botar os pés no chão. Vitamina C, café... alongamentos, exercícios de respiração e... pronta pra outra!
Lamentos (segunda dia 15)

Hoje quem está inexplicavelmente triste sou eu. Estou chorosa desde ontem.Vagando por pastas antigas de CDs perdidos, encontrei este texto. Creio que copiei do santinho que distribuíram na missa do Matt. Não sei o que me acontece. Creio que são os astros, o que minha amiga Cris (agora na Guatemala) chama de "quarentena astral". Creio que é real,
acontece sim. Não se trata de autosugestão. Ai, minha nossa. Já chorei e
comprimi as lágrimas umas tantas vezes hoje. De repente me lembrei daquela missa na Santa Cecília com folhas de carambola. A cena veio nítida. fotográfica, na minha mente. Ela me remeteu a outras lembranças. Ao dia em que a Ju telefonou. Foi no final de novembro e não de outubro. O inesperado telefonema da Ju aconteceu no dia 28 de novembro, dia em que conheci Fábio. E então, me lembrei do Fábio, vi as cenas de Lageado na TV e bateu uma saudade sem tamanho. Não sei por que as perdizes me levaram a outro mundo...

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A crônica do amigo


Perdizes de Andrômeda
(Henrique Matteuci)

- Mim Jane - disse ela colocando a palma das mãos sobre o próprio peito.
- Tu Tarzan - completou, tocando meu peito. não solteio grito de vitória do rei das selvas porque se o fizesse transformaria aquele gesto romântico num episódio ridículo. Estávamos ao pé de um grande grupo de árvores gigantescas, ali do parque da Água Branca, majestosos exemplares de pau-ferro, plantados, com certeza, por um botânico de mãos bentas.
- Lá está nossa cabana - disse eu - Vamos subir e fazer amor. Partimos na cabine de um pensamento uno. O guarda apitou, descemos. Ele foi delicado, mas incisivo.
- É proibido amar no parque.
Ela suspirou frustrada e eu disse, botando a mão em meu próprio peito:
- Mim Jedi, tu Shaula.
Quando pus a mão em seu peito, senti a taquicardia do amor. De mãos dadas entramos em nossa nave e viajamos para a constelação de Andrômeda, onde gira a estrela que tem o nome de minha amada. Lá o amor não é proibido. Criamos um bosque parecido com o da Água Branca, cheio de árvores imponentes e aconchegantes. Batizamos o local com o nome de Perdizes e decidimos: só voltaremos à Terra quando for revogada a proibição do amor.

O abraço de Alice
(comentário da amiga sobre o que eu escrevi acima)

Apesar de atrasada, como sempre, receba, antes, um grande abraço, daqueles bem arrochado e demorado, sem nos mexermos. Lembro-me de uma amiga do Solaris, a Magali, que adorava abraçar as pessoas, e eu costuma a balançar o corpo enquanto a abraçava. Um dia, ela me disse mais ou menos assim: "Não se mexa, sinta este nosso abraço. Depois, sim, de trocarmos nosso carinho, podemos nos sacudir". Acho que ela tem razão, agindo assim sentimos mais a reciprocidade do aconchego, do afago. Isso, é claro, quando gostamos muito de alguém. Sinta meu abraço!
Agora, sinta-se sacudida para afastar essa onda melancólica. Quanto à quarentena, talvez haja mesmo influência. Como dizem que todos temos livre-arbítrio para decidir o que é melhor para nós, por que não começar a tentar em se livrar desse estigma (não me ocorre um termo adequado para definir essa onda infernal). Comparo isso ao que os espíritas e, até mesmo, os esotéricos chamam de karma (carma). A diferença é que o espiritismo encara o karma como algo que é inevitável, ou seja, a pessoa precisa aceitar com paciência (sofrer mesmo) para que seu espírito se eleve. Conforme o pouco que li e, segundo o curso de autoconhecimento do Solaris, o livre-arbítrio pode superar o karma. É como você se esforçasse para quebrar um ritmo, um vício que há anos, até vidas, você carrega. Podemos chamar isso também de força de vontade. Vamos ser incisivas: "Não quero mais sentir isso", "Desta vez, essa onda não vai me derrubar" e por aí afora. É fácil?
Claro que não. Se continuarmos nesse raciocínio, como deve ser difícil quebrar uma herança genética. Vejamos, um exemplo: tenha uma amiga que já perdeu duas tias e a mãe (morreu com 53 anos) de câncer. A probabilidade para a Solange desenvolver a doença, segundo o histórico familiar, é grande. Aliás, ela já foi operada e anda muito preocupada. Segundo a Sonia, temos condições de quebrar esses ciclos karmáticos. Como? O autoconhecimento ajuda a ter maior percepção do que acontece. Depois, de conscientes, temos de nos armar para o combate. Este assunto é pano para manga. Infelizmente, preciso ver minha mãe. Pois é, ainda não quebrei esse ciclo. Mas, na verdade, vou vê-la por vontade própria. Estava difícil escrever para você neste momento com o Carlos me rodeando. Aliás, precisamos "nos confessar". Desculpe-me, te incluí no confessionário porque desconfio que você tenha alguns segredinhos. Eu também tenho. Justamente por se tratar de segredinhos, não dá para comentá-los porque tenho à minha volta um espiãozinho. Quanto à perda da gatinha da sua amiga, dos amigos Matt e Ju, é triste. Chorei muito na época, hoje sinto uma saudade não doída como antes. Eu diria que é uma saudade reflexiva. Sei lá! Um dia me explico melhor pessoalmente. Não encuque! É uma história complicada, talvez karmática.

segunda-feira, outubro 15, 2001

Um ano!

Curiosidade
Espanto
Medo
Desdém
Reticências
Choque
Descobertas
Encantamento
Cumplicidade
Êxtase
Certeza
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Pronto! Criei coragem e postei para Julius ontem. Mas acho que ele vai ler só amanhã, na empresa. Pouco provável que acesse de casa.
Tenho baita saudade, mas é uma saudade gostosa, sem angústias.
Tento gerenciar meus sentimentos, viver sem culpas.
"Os lamentos apenas diminuem a beleza de entregar-se..."
Fixo-me nessas palavras dele.
Como bem me lembrou o Cuiabano, muitas coisas mudaram neste ano. Há um ano, eu ainda chorava pelo Carioca. Achei que nunca poderia esquecê-lo. De fato, ele ainda me incomoda. Mas muito pouco.

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No sábado, um telefonema com voz estranha. Minha amiga do Rio contando que deixou a gata no veterinário. Uma siamesa de 15 anos com diabetes. Tanto eu como ela logo pressentimos o que vinha por aí. Não deu outra. No domingo, outra ligação, contando que ela não resistiu.
Quinze anos é uma idade centenária para uma gata. Só quem tem (ou teve) bichos de estimação, principalmente gatos, faz idéia do quanto a gente pode sofrer com uma perda dessa.

Lembrei-me, novamente, saudosa e chorosa, de quando eu tinha uns cinco anos e nosso cachorro Lulu foi atropelado. Meu pai cavando a sepultura e me contando do dia em que o cão o salvou de um bote de cascavel...



domingo, outubro 14, 2001

Que droga! Queria escrever algo bem legal para Julius. Tô bloqueada. Não sei se ligo amanhã para ele. Provável que não. Ele não vai atender mesmo. Segundona é dia de resolver pendências familiares, em Campinas. Que porcaria! O jeito é eu me concentrar no trabalho e me consolar com o baixinho.

sábado, outubro 13, 2001

Passar um feriado trabalhando e acabar a noite idem seria demais. A oportunidade bateu e eu resolvi aproveitar do meu direito de me divertir um pouco. Quem não tem um loiro bonito, alto, solteiro... vai de baixinho gordinho casado mesmo! Ihhihih... Quanta maldade! A natureza é injusta com os feios. Mas muitas vezes compensa-os com inteligência, gentileza e caráter.
Ele disse:
"Tá vendo o que me atrai em você, além daquelas pernas, da cintura torneada e do rosto gracioso? Você é inteligente e rápida no gatilho como eu...Me "inspira" ser mais inteligente, mais rápido e mais surpreendente. Não vê que me sinto bem assim e você é uma mola que impulsiona?"

quinta-feira, outubro 11, 2001

AI, MEU DEUS...
Quem é que agüenta?
Dia 16 vai fazer 1 ano que o conheci...

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Emoção

Você em meus braços
teu cheiro, suspiro
respiro teu ar que revitaliza...

Tua pele que brilha,
teus olhos que brilham,
tua alma que resplandece..
tristeza: a razão prevalece...

Mas somos assim lagartas,
casulos, borboletas,
asas que endurecem
no esforço de romper a prisão.

Visão ou sonho não importa
você é minha porta para o paraiso
daqueles infindáveis, inesquecíveis,
eternos átimos de tempo
em que nos possuímos mutuamente...

Semente de flor e perfume que recicla
teu cheiro, tua pele, teu sorriso...
preciso dizer-te mais?
Faz com que tua vida
seja repleta destes momentos
os lamentos apenas diminuem
a beleza de entregar-se...

Beijao neste coraçao que cabe um mundo
profundo caminho que gosto de trilhar...

quarta-feira, outubro 10, 2001

Ontem o celular tocou e eu atendi rapidinho, sem ver o número.
“Regina?””
“ Não, não é Regina”
“Não é do número 988....”
“Não, não é esse número”
Depois que desliguei, percebi quem era. Não pensei muito e dei o send.
“Você me ligou? Perguntou se era Regina?”
“Ué... fui eu sim! É que me atrapalho com essa tecnologia! Seu número tava na memória...”
“Está bem, eu retornei porque pensei que você tivesse apenas se enganado de nome!”
“Não, tava tentando falar com Regina, duma assessoria... Mas que bom falar contigo! É o destino! A gente precisa se falar mais!”
“Muito obrigada. Então, tá. Liga pra Regina então”
“Peraí... Você tá pensando que é alguma namorada? Eu ligo para 800 mulheres todos os dias. Sabia que que só tem mulher em assessoria?. E que tem 1.800 querendo falar comigo? Elas dependem de mim! Querem sair na página 2!
“Sei... eu também recebo muitos releases assinados por mulheres.”
“E então, parou para respirar?”
“Ainda não, tenho mil coisas para fazer...”
“Quando é que a gente se vê?”
“Quando passar o sufoco... qualquer dia...”
“Então manda um beijo”
“Um beijo...”
“Liga depois pra mim?”
“Se der, eu ligo mais tarde...”
Recado de madrugada no ICQ:
“Pensei bastante em você. Me veio à cabeça uma mulher muito interessante (sem ser um cachepô) e, ok, vamos lá, muito gostosinha...me deu saudades, acredita?”
Ai, minha nossa... Essa cantada não devia me incomodar. Mas tá me incomodando pra caramba. Eu não devia ter topado esse encontro. O homem tá agindo feito garotinho, tá todo assanhado e eu o estou tratando igual minha filha de 16 anos trata os moleques que ligam aqui o dia todo!

Preciso parar de curtir esse assanhamento do coroa. Coroa, sim! Oito anos de diferença. Desde que tinha 13 anos que não me envolvo com alguém tão mais velho do que eu! Se eu der mais trela, esta história pode complicar! Ele não é sacana, não é um cara que mereça ser enganado.

E também é puta sacanagem eu ficar cozinhando o galo só porque o homem é importante, influente no nosso meio. Tentar me aproveitar profissionalmnte desse contato é muita baixaria. Só faltava fazer isso agora, quarentona. (Se bem que nunca ninguém de posição me cantou quando eu era mocinha... eheheeh)

Amanhã vou ver o que digo pra ele...

É a velha Lei de Murph no Amor. Porque os interessantes não ficam assim no pé da gente? Claro, porque sabem que não precisam! Que droga!
Julius diz: “Como está sua agenda hoje?”
E se eu vacilo, nunca insiste! Responde sempre: “ Fique tranquila, tal dia estarei de volta!”
Semana passada foi a primeira vez que falou: “Não suma tanto tempo assim, por favor!”
E eu só consegui suspirar quando ele me beijou os cabelos e falou novamente: “Te curto pra caramba!” No fundo, lá no fundo, claro que queria ouvir falar de amor. Mas eu sei que nem ele nem eu vamos dizer... É o medo! Ou porque nada tem a ver com amor... Não sei!

Que droga!

segunda-feira, outubro 08, 2001

Finalmente um domingo de algumas emoções. Uma amiga a quem não vejo há mais de dez anos me ligou na sexta para matar saudades. Adorei a idéia e marcamos para domingo. Apesar de na última hora ela ter vindo com a família toda (mãe, filho e marido), foi legal. Quando fui trabalhar na FSP, num ambiente tenso e hostil, ela foi a primeira pessoa a vir sorridente até minha mesa, oferecendo sua amizade. Eu estava completamente insegura e não me esqueço até hoje daquele gesto. Foi também o caso do sr. José, que falou tão calorosamente comigo naquela tarde de 1978 quando fazia testes na Abril, me desejando boa sorte. Somos amigos até hoje.
Eu e Lúcia temos a mesma idade, algumas semelhanças e muitas diferenças. Ela está casada há 19 anos e tem um menino de 13. O primeiro filho dela, nascido pouco depois da Paula, morreu misteriosamente dois dias depois do parto. Nessa época ela ainda morava a duas quadras de minha casa. Depois, ela voltou para Mogi e largou definitivamente a profissão. Prestou concurso e hoje é escrevente do fórum. O marido, também “coleguinha” tornou-se desenhista da polícia. O casal nunca teve muito jeito para escrever e como praticamente não há mais trabalhos de revisão para jornalistas, resolveram se retirar do mercado. Apesar das queixas e da aparente frieza, parecem viver amigavelmente.
Agora o maior espanto é que Lúcia faz sexo semanalmente (rapidinho, nunca mais de 15 minutos) com o marido, porém não trocam um beijo há seis anos. Contou que teve um único orgasmo na vida, antes do casamento. Mesmo assim, numa bolinação dum namorado italiano. Hoje está em busca de outros, quer ir à luta. Faz outra faculdade e sonha em cair no mundo. Quer emagrecer, ficar gostosa. Ela até que é bonitinha. Mas o corpo não ajuda muito não. Segundo um gaúcho antigo, pai da Rita, corpo é tudo, a cara não importa muito. Acho que é o que a maior parte dos homens acha.


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Dentro da minha campanha para não perder a cabeça por Julius, ficar completamente apaixonada, de quatro, tratei de conhecer um novo amigo virtual.. Ele me contatou pelo ICQ no sábado e a nossa identificação foi rápida. O cara começou dizendo que “lidava com letras”. E não deu outra! Mais um coleguinha que caiu de boca na web. Homem sério, sisudo, colunista de renome da área econômica. Ele se descreveu como um sapo: baixinho e gordo.
Ontem cedo, antes de confirmar o encontro, consultei Rita a respeito da figura. Resposta dela: “Esquece!”. Falei do tipo físico, aleguei que nem era tão baixinho. Cúmulo seria se ele fosse menor do que eu. E ela: “mas o homem é uma bola!” Contou que era do tipo ruivo, sardento, de barba.
Havia quase desistido da idéia quando o celular tocou. Estava ainda na Liberdade, após o almoço com Lúcia. Gostei do tom de voz. (Sotaque carioca é meu fraco!) e o achei muito jovial (tem 52 anos), é bem-humorado, bem mais informal do que teclando.
Nos encontramos por volta das 19horas na livraria do shopping. Ele se atrasou um pouco e ligou avisando que estava na fila do estacionamento. Quando chegou, me identificou de longe. Não havia dúvidas: além de ser a única oriental, minha roupa era inconfundível (saia turquesa e blusa preta).
Ele é mais baixinho e gordo do que imaginei.Porém não é do tipo pesado. Miudinho. Tomamos alguns chopes e o papo foi ótimo. Não avançou o sinal e mostrou-se cavalheiro à moda antiga, me convidando para um jantar "fino". Disse que queria me levar a um lugar diferente, um programa inesquecível. Chutei restaurante tailandês. Disse que conhecia e ficamos de marcar. Mas logo depois, insistiu num concerto já nesta semana. Dei uma despistada. Culto, inteligente, de raciocínio rapidíssimo e nada esnobe. Só falou com muita corujice dos filhos. Um deles, de 25 anos, é engenheiro de sistemas de uma grande empresa.
Ainda não sei se tornarei a vê-lo. Fiquei encantada com o encantamento dele. Comentou várias vezes que sou "uma japonesinha diferente". Reconheço que sou diferente sim. Penso com meus botões por que essas coisas não me aconteciam há 20, 15 anos. De fato, minha vida mudou muito com a Internet. Mudaram vidas de muitas pessoas, principalmente das que – como eu – nunca levaram adiante uma cantada na rua ou num barzinho (mesmo porque raramente frequento). Agora, "coleguinhas"... O problema foi que o último que me assediou acabou em casamento!

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Não, ainda não deu para desviar os pensamentos de Julius. Pelo contrário, voltei pensando mais nele, naqueles olhos verdes que escurecem e nunca se fecham na intimidade. Eu cerro muito os meus, mas ele... O jeito como me olha é mais estonteante do que as poesias. E quando não pode avançar o sinal (em público), as mãos dele nos meus cabelos... aaaaaai!. E os beijos. Incomparáveis, doces, infinitos. Com ele nunca há chance de pensar em outra coisa. Não dá para querer nada diferente mesmo.

sábado, outubro 06, 2001

Quinta-feira foi um dia movimentado. Marquei de me encontrar com minha amiga Ângela na casa da tia dela, na Bela Cintra. Tínhamos tido montão de desencontros e eu precisava lhe entregar umas revistas e pagar por um trabalho que ela me fez. Deu um problema na tranferência que fiz pra conta dela e não queria me arriscar a outro erro. Antes disso, já estava quase certo que encontraria Julius naquela noite. Como ele viria à cidade, combinamos que ligaria pra ele por volta das 18h e ele me pegaria na região da Paulista.
A Ângela ficou muito nervosa ao ver a tia e constatar a falta de cuidados da parte da prima, que estava inclusive pintando a casa. O cheiro era forte. Ela a alertou, mas a prima disse que aquilo era uma terapia para ela, um jeito de se entreter, nem ligou pro detalhe do cheiro de tinta.
Quando deu 18h, tentei escapar. Liguei para Julius. Ele já estava de volta ao flat em Moema, me esperando. Falei pra Ângela que houve um imprevisto e precisava "ir buscar um CD". Não é que a mulher resolver ir comigo? Disse que estava à toa e me faria companhia. O trânsito estava horrível e demoramos um pouco. Quando nos aproximávamos, a alertei, dizendo que o cara poderia demorar, nos dar maior chá de cadeira, etc. E ela parecia não se mancar. Coitada, acho que estava carente e querendo conversar. Fiquei tentada a contar do meu encontro para ela. Mas não tinha nada a ver. Do jeito que ela é certinha, nunca entenderia esses meus "deslises". Sei disso, porque já ensaiei a fazer umas revelações, no auge da minha empolgação com o Carioca.E só de pensar na possibilidade, ela me olhou com uma cara muito feia. Depois, teve uma vez que ela invocou comigo porque andava falando demais com o marido dela. Ela é muito legal, superamiga, mas.. Pensamos diferentes sobre "relacionamentos".
No trajeto, pensei em mil coisas. Podia fingir que o celular tocou e precisaria mudar de rumo. Me ofereci para deixá-la no metrô, mas ela respondeu que tanto fazia, que lá da rua para onde eu estava indo ela pegaria outro táxi pra casa dela. Pensei na possibilidade de Julius estar me esperando lá embaixo (é raro, mas às vezes ele faz isso). E se ela resolvesse ir até a portaria comigo? (geralmente, eles já estão avisados na portaria e me mandam subir).
Fui salva pelo gongo. Enquanto acertava as contas, o taxista, para esticar a corrida, sugeriu levá-la até a av. Ibirapuera. Comentou que a rua estava deserta e não era recomendável ficar zanzando por ali. Na mesma hora, não deixei fechar a conta, dei o dinheiro pra ela e falei: "isso mesmo, vai ficar mais barato, você só paga a diferença! Ufa!
Estava tão nervosa que acho que não entendi bem o endereço e fui parar no flat errado, onde ele costumava se hospedar há uns 3 meses. Quando cheguei e falei o número e o nome do apartamento, o porteiro riu e disse: "Sr Júlio César? Fica agora no prédio ao lado".
Corri pra outra portaria, toda atrapalhada e envergonhada. A garota da recepção me recebeu toda gentil, com cara de velha conhecida. Fiquei com aquela sensação de que ela "sabe de tudo".
A subida, de 15 andares, pareceu mais demorada do que o habitual. Fui pro lado errado do corredor e nem consegui cumprimenta-lo direito quando abriu a porta. Estava péssima, suada, horrorosa. Beijinho formal e pedi pra tomar banho. E ele: "depois tomamos banho juntos". Estava com cara de quem saiu do banho, cheirando sabonete, de bermuda e camiseta. Cara de menino. Cabelo recém-cortado. Alguns quilos a menos. Eu me sentia pegajosa e fedida. Mas.. que nada! Fomos direto pra cama. Pensei: "logo fazemos pausa pro chuveiro". Só paramos duas horas depois.

Acho que o constrangimento foi de bobeira. Vejam só...

"O teu cheiro me enleva,
transporta-me a distancias
e tempos que preservo
com prazer na memória sensitiva..

O teu gosto me conserva,
como o doce da infância,
em extase repetido e inesgotável
que o teu sorriso potencializa...

Olho teus olhos e me vejo
espelho, luz, excitação..
Olho teu corpo e estremeço...
lindo, nu, arrepiante..

Ouço teus gemidos que me presenteias
com a certeza do teu gozo iminente..
sente em tua boca meu sexo ardente..
sinto em meu peito teu coração premente
de amor, suave, sereno e permanente..."

Ufa.. Até que enfim, uma boa noitada, depois de mais de um mês tentando e dando zebra. Deu ainda tempo para irmos ao restaurante japonês, na Liberdade e passearmos um pouco. A noite estava uma delícia, a temperatura ótima, as ruas muito movimentadas às 23h.

quarta-feira, outubro 03, 2001

Volto a escrever online. Se eu pensar muito, fico mais um dia sem postar. Dizendo o óbvio: a informática pode ser uma maravilha, mas quando algo dá errado e a gente depende dos computadores, tudo vira um inferno. Foi o que me aconteceu no último final de semana. Perdi o registro do Windows e danou tudo. Pensei que uma reinstalação do sistema resolveria.
Que nada! E na sequência, achei uma criação de vírus. Tava tudo embutido nos e-mails do Outlook. Eram coisas recentes que não abri, por pura falta de saco para ler. Algumas propagandas e aquelas gracinhas em pps. Ainda bem que nunca passo adiante os pps.Só nos raros dias de muito desânimo leio aquelas coisas.

Na minha fase inicial de Internet, como a maioria, fiquei encantada quando comecei a receber textos com esses efeitos... Aliás, foi um desses cartões que detonou minha primeira grande paixão. No meio dum chat recebi um cartão do site Paubrasil escrito "eu te amo" em letras de grafiteiro. E aquilo foi a centelha que faltava. Ahhh... comento hoje com nostalgia. Mas foi bom sim. Manteve-me motivada numa fase macabra de minha vida.

Vou voltar à arrumação do computador e retomar o trabalho.

sexta-feira, setembro 28, 2001

Quinta feira, dia 27

Deu zebra e novamente tive de mandar pro espaço meus planos de uma bela noitada. Paciência. Afinal, só eles é que podem cancelar compromissos por conta do trabalho? É um saco! E eu estou p... da vida, mas o pessoal que trabalha comigo fez uma cagada e eu tenho de consertar. O mês está acabando e se não der um jeito, estou frita!
O jeito é pensar que há males que vêm para o bem. Espero que o fato de ser um tiquinho difícil acabe me contando pontos a favor. O diabo é que eu estou morrendo de saudades, estou louca por um bom papo e todo o resto. Agora, se o cara não entender todos esses problemas que ando enfrentando, é uma pena, mas é porque nem vale a pena me preocupar com ele! Tomara que não seja assim. Mas que isso me deixa preocupada, deixa sim! Sei que tô dando chance de ele encontrar melhor companhia e se desinteressar por mim. Isso me encuca ... e muito!
Mas, ao contrário de outros relacionamentos, admito que este tem sido diferente. A cada novo encontro, sinto que tudo melhora e nos aproximamos mais. Garanto que não estou apaixonada, não estou cega e estou mantendo os dois pés no chão. Sei dos limites, sei que não tem um futuro do tipo que vá mudar a minha vida. Essa hipótese, cortei de meus planos depois da baita desilusão que tive com o “caso” anterior. Estou simplesmente curtindo, sem pesos na consciência!
Entretanto, sei o quanto estou envolvida. Sei também o quanto sou careta, carente. Hoje foi aniversário do “Baixinho de Taubaté”. Mandei um cartão logo cedo e conversamos muito durante a tarde, pelo ICQ. Ontem também, papeamos um bocado. Apesar de ele ter mentido para mim quando nos conhecemos, eu o considero hoje um bom amigo. A bronca passou. E ele vive me provocando. Confesso que fiquei envaidecida com uns elogios que o me fez. Ah, ah, ah... Parece piada, mas a esta altura da vida, descubro que é muito mais importante ser chamada de gostosa do que de inteligente. (Ainda mais com esse mito de ele ser do Ita).
Mas, por mais que me esforce, não tenho mínima vontade de fazer sexo com ele novamente. Não é questão moral. É que é tããão diferente de Julius! Não adianta ele ser atleta, ser bem-dotado e ter técnicas impecáveis. É a tal química. Diria que ele é tão frio e duro quanto um vibrador! Eh, eh, eh! Sem falar no “estilo”, que é mesmo de maratonista! Claro que vale como exercício físico, mas... melhor deixa-lo na regra 4, pro caso de eu ficar a perigo.

Credo.. fazia tempo que não falava tanta bobagem...


Sexta-feira, dia 28

Pensei que pudesse colocar o post no dia anterior. Já fiz isso em outras ocasiões. Mas agora não consigo.
Quando escrevi o texto acima, eu havia deixado recado no celular "dele". Odeio fazer isso! Mas tento ser firme e natural, parecer que não estou correndo atrás do cara nem me desmanchando em desculpas. A senha dele sempre é: "como está sua agenda"? Então, deixei o recado: "Precisei rever a programação desta noite. Vou trabalhar em casa."
Achei que ele não ligaria, deixaria pairando a dúvida se ouvira o recado.
Ai, por que diabos eu penso sempre desse modo?
Penso que é uma autodefesa, me prevenindo para o pior, para ser encostada, desprezada, esquecida. Tentando não sofrer caso isso aconteça.
Bom.. então, quando nada disso acontece, fico tãaaaaaao feliz!
Ele ligou lá pelas 20h e conversamos meia hora. Uma interrupção e mais quinze minutos de papo. Botamos conversa em dia. Nunca falamos de "nós", embora muitas e muitas vezes eu fique tentada. Não, não estou apaixonada. Mas admito que depois dessa conversa, consegui terminar o trabalho que estava travado o dia todo! Por que uma pessoa pode nos fazer tão bem? Aaaaai...

Acordei moída, corpo escangalhado, mas disposta a ralar no trabalho, botar em ordem toneladas de coisas pendentes. Quando o celular toca a antes das oito, sei que só pode ser "ele". Queria que almoçássemos. Que liiiiiindo!!! Quase pulei de alegria. Mas não pude ir!

São 15 horas e CONSEGUI terminar o trabalho da semana. Uuuuuuuufa! Semana que vem tenho que dar um jeito nisso!

quarta-feira, setembro 26, 2001

Sai pra lá, mau agouro! O clima geral anda muito tenso.
Sensação que eu tenho é de que uma imensa nuvem negra paira sobre o planeta. Certamente são energias negativas, temor geral, insegurança. Pessoas agindo de modo egoísta, pensando nos seus próprios problemas, esquecendo-se dos outros. E parece que todo mundo está lotado de problemas.
Novamente me lembrei, com saudades, da minha amiga Ju. Esta semana até telefonei para a mãe dela. Incrível como a voz dela é idêntica. Ela ficou muito feliz. Também estava melancólica. Comentou que não tem mais vindo à cidade, desde que perdeu a “companheira de viagem”. Linda a maneira de ela ver as coisas.
Lembrei-me da Ju pois uma vez ela comentou sobre o clima dos finais de ano. Ela me explicou que o fato de toda a humanidade estar sensibilizada, pensando nos seus entes queridos, nas festas, nos encontros e também a situação daqueles para quem essas datas são um martírio, formam uma aura energética que às vezes desestabiliza os mais sensíveis.
Como sabem, eu não tenho nada de esotérica. Considero-me “descrente”, agnóstica. Entretanto, fico naquela situação de “no creo em brujas, pero”... Sinto que eu capto muito o que vai pelo ar, as tais energias que pairam pelo espaço.
Sempre que me baixa o desânimo, tento pensar no que Ju me diria numa situação dessa. Nas piores situações, ela tinha uma palavra de apoio, um jeito especial de levantar o astral. Ela sabia dizer o que a gente precisava ouvir.
Pronto! Desabafei e já estou mais alegre.
Estou de pavio curto, tolerância menos 1.000.000. Gota d´água hoje foi justamente um bate-boca com o tal editor da revista onde vou publicar a matéria sobre blogs.
Hoje, bem cedinho, ele mandou um e-mail pedindo pra ligar URGENTE. Bom.. foi um mal-entendo. Eu havia combinado tudo, por telefone, com o "publisher", para inserir essas páginas por conta de um acerto de parceria que tenho com eles. E agora o o editor foi avisado que o que me pagar será descontado do salário dele. Não preciso dizer que o cara ficou apavorado, porque não sabe quanto eu cobro. Mas ele não foi nem um pouco político. Disse que "em nenhum momento pensou que isso fosse ter um custo". E ainda por cima, me falando como se fosse fazer um favor em publicar. Papos do tipo: "tenho matérias de graça para encher 3 revistas.." "Tenho feito acordos de parceria, em troca da divulgãção do nome"
Divulgação do nome? Ah... tenha dó! Aí falei pra ele que só nunca botei meu nome NAS CAPAS das revistas que eu mesma edito porque nunca quis. E aí, descarreguei meu currículo, finalizando que eu conheço o dono daquela birosca desde que tinha uns 10 anos. Bom.. Foi baixaria...
Só não mandei enfiar tudo LÁ porque eu sou educada! E também porque, no fundo, no fundo, eu fiz a revista para ajudar o meu meu amigo e também para dar uma força para o pessoal que rala para manter as hospedagens de blogs.

Com essas besteiras e mais uns probleminhas que tive com cheques que sumiram no buraco negro porque me pagaram com chequinhos de pequeno valor de terceiros e então nao caíram no dia esperado, perdi parte do humor que ainda me restava.

Tá tudo bem.. não tou mal não... tô p... da vida porque não poderei sair esta noite! Tô parecendo homem, que coloca o trabalho à frente do lazer!

segunda-feira, setembro 24, 2001

Tá uma confusão sem tamanho aqui... Tentei botar os posts em ordem e embaralhou tudo.
CASO A DATA SAIA ERRADA... estou escrevendo aas 23h do dia 24 de setembro, segunda feira!
Parece que eu estava adivinhando. O Desembucha despencou. Vão ficar fora do ar por tempo indetermidado. Pelo que entendi, acho que os blogs foram todos pro espaço. Que peninha. Ufa, ainda bem que no sábado, quando só conseguia acessar a cada 5 tentativas, eu dei um jeito de copiar tudo que bloguei lá. Aos poucos, espero colocar tudo aqui. Aliás, foi nessa primeira tentativa que comecei a bagunça. Mas, tudo bem, a ordem dos posts antigos só tem mesmo muito sentido para mim.
O pior é que tudo isso aconteceu justamente no momento em que não fui até a página porque eu estava muito ocupada, escrevendo justamente sobre blogs pra revista de um amigo meu. Que drooooooga! Bom, como os caras estão ensaiando voltar, vou ficar na torcida para que tudo tenha se normalizado quando a revista sair. Se não... paciência! O que está feito já foi!
Amanhã vou ver se tenho saco pra reeditar aquilo. O pior é que fiz toda a paginação, capturei as ilustrações etc.

sábado, setembro 22, 2001

Tá quase impossível blogar no Desembucha. Uma pena. Tem muitos recursos lá que não tem aqui, além de eles terem quintuplicado o espaço, de 2.000 para 10.000 caracteres.
Chove e faz frio no sábado paulistano, para variar. Tive uma noite maldormida. Minha filha foi à balada e chegou às seis da manhã. Não tem como não ficar de ouvido atento ao telefone.

Pela primeira vez em muitas semanas, não disputei a leitura da Veja. Não li nem jornal hoje. Aproveitei o tempo para escutar montão de músicas que baixei há algum tempo e o resto do tempo fiquei tentando desentupir um maldito ralo, na área de serviço. Não sei por que essas coisas sempre têm de acontecer no final de semana! Mas, pacientemente, com um araminho duro com gancho na ponta, fui girando, girando... e não é que consegui? Arranquei um bolo nojento de cabelos, fiapos e pêlos de gato! Pronto, agora não tenho mais desculpas para levar as roupas à lavanderia! Engraçado é ver como gatos (no caso, gatas) são bichos curiosos! Só ver a gente fazer algo diferente, que ficam ali, de butuca, observando...

sexta-feira, setembro 21, 2001

Perdi um pouco do pique pra blogar. Parte disso foi a triste constatação de que nem todos, talvez a maioria, não aprove o que eu escrevo aqui. Procurei me expor de maneira escancarada, quase sem censura, digamos. Na semana passada enviei para umas dez pessoas uma discussão que tive com um amigo pela Internet. Recebi dois comentários. Dois! Um positivo e outro negativo. Daí, deduzo que os outros oito não acharam graça alguma no que escrevi. Na verdade, acho que só blogueiros lêem blogs com assiduidade. Mais ou menos do jeito que só jornalistas lêem muitos jornais. rs... Paciência!
Tive dois dias terríveis. Timpanite, pelo que concluiu a gastro. Foi uma inflamação de alguma(s) membrana(s) da barriga. Certamente conseqüência de intoxicação alimentar. Resumindo. Começou com ligeira flatulência e em algumas horas minha barriga parecia um balão. Mas como anoiteceu, resolvi deixar pra procurar socorro na manhã seguinte, na esperança de que passasse logo. Mas, que nada... Passei a noite de terça no banheiro e não consegui dormir. Tomei as providências recomendadas na manhã de quarta. Depois, fiquei exausta e dormi umas 18 horas seguidas. Ontem foi o dia de recuperar o tempo perdido, ainda com muita dor muscular.
Mas estou duplamente aliviada. Pelo menos não foi nenhuma virose, infecção, gastrite ou coisa pior. Hoje, sexta-feira.. tô ótima! Completamente em forma. Terminei uma matéria de informática de 6 páginas (com todas ilustrações capturadas). De vez em quando é bom a gente dar uma parada nos neurônios, se desligar da internet e da tv. Só mesmo doente.


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sábado, setembro 15, 2001

Hoje dormi à tarde e tive um sonho muito estranho. Dois amigos vieram me visitar. Um deles era Roberto. O outro, Dílson, que já morreu. Eu morava na casa de minha mãe e deveria ter uns 20 anos. Dílson me trouxe um presente de aniversário com antecedência. Era um quadrinho de parede com desenho infantil. Meu amigo esticou uma fita até o outro lado da sala e explicou que quando o dia chegasse, aquilo viraria um bolo! Fez uma demonstração: a caixinha virava um cubo decorado de chocolate com detalhes de cereja. Ele usava uma camiseta branca de listras azul-clara que vestia na última vez que o vi, lá na revista de cinema.
Hoje de manhã fui ao supermercado e pensei em comprar sal. Todas as vezes em que compro sal, me lembro do Dílson. Sabe por quê? Porque o pai dele era vendedor de sal. E um dia ele comentou: “você tem idéia de quantas vezes por ano a gente compra sal? Pois é, uma ou duas... coitado do meu pai... ele não podia arrumar outra coisa pra vender?” Desde então, toda vez que vou comprar sal, me lembro dele. Ultimamente, me lembro mais vezes pois uso sal light (sem sódio), em embalagens de meio quilo. Às vezes penso em comprar dois pacotes, mas me lembro dele e resolvo trazer apenas o necessário, para que possa tê-lo novamente nesta saudosa lembrança.
Já que meu interlocutor prometeu nunca mais ler este blog (será?), vou publicar o que ele disse:

Oii ... infelizmente não tinha nada para faze sm ser ficar de olho nos
leilões para q os banqueiros e o FMi ganhem mais dinheiro do povo sofrido
do Brasil e entrei no seu blog, prometo não mais fazer isso mas gostaria de
falar q não quero q vc tenha nenhum compromisso de ficar discutindo com o
chato aqui q detesta americanos, é um ponto de vista meu, e q a maioria dos
brasileiros pelo visto discorda,. Assim como o seu sonho é conhecer NY, eu
queria poder conhecer um pouco a Amazonia q é aqui no Brasil e q aqueles
babacas de merda americanos um dia vão destruir "em benefício da humanidade
(deles)"
Me perdoe, não sabia q eu era tão chato quanto eu descobri no seu blog, eu
tinha te falado sobre não querer saber do blog do Thiago e não me dei conta
de não abrir o seu. Gostaria q da próxima vez vc poderia ser mais honesta e
dizer as coisas para mim antes de eu saber q outros ja sabem de q eu sou
mais chato do q eu pensava.

sexta-feira, setembro 14, 2001

Hoje foi um dia escuro e chuvoso em SP. Eu só botei os pés na rua para ir ao banco pagar a taxa de Fuvest da minha filha. Só hoje ela me fala que tem apenas 3 dias pra se fazer as inscrições. Não tem jeito, a gente tem que pegar no pé mesmo.
Estranhas as reações de pessoas citadas no blog. Ainda bem que a maioria gosta, fica feliz em saber da sua importância no meu dia-a-dia, na minha vida. Engraçado também é notar como algumas pessoas não vestem a carapuça, não se reconhecem. E tem aqueles que vestem a carapuça e se revoltam. Eh, eh, eh.
Tive notícias de minha sobrinha Lu, que mudou de emprego, para um muito melhor. Sempre que tenho contato com ela, não posso deixar de me lembrar do pai dela, meu irmão. Passados mais de três anos, ainda tento compreender o gesto dele. De repente, baixou uma baita saudade. Dele e do outro, que se foi, contra a vontade, há três meses.