sexta-feira, dezembro 14, 2001

O que não agüento:

- Coroa metido a moderninho, se achando o máximo porque dá conta de usar Internet
- Gente deslumbrada com a profissão
- Gente que não se manca, que não se enxerga, faz propaganda de si mesmo.
- Gente que invoca que EU tenho problemas, que insiste em me consolar
- Gente egoísta
- Baixinhos
- Gente que termina as frases com : “certo?” “ok” “viu”? Pessoalmente, nem dói tanto, mas quando isso se repete em e-mails, me cansam os olhos!
- Gente que me envia URLs de Natal.
- Gente que vem com cantada besta, jurando que "não vamos fazer nada que você não queira"... SÓ faltava...
- Gente que não entende que não estou caçando só uma boa transa... Quem leu meus posts durante estes quase 5 meses deve ter percebido como sou seletiva.
- Gente que me cumprimenta para dizer: "Oi, tô ocupadérrimo, não tenho tempo pra vc"... Dá vontade de responder que nem o Dr. Pimpolho.. ahahah

Nossa, como tem gente pobre de espírito neste mundo!

Gente que lê as indiretas que dou aqui e nunca veste a carapuça. Hilariante! Parece até político.... ah, ah, ah!



“Final de ano sempre serve para reflexões, e ainda mais para você, que tem as emoções a flor da pele, deve ser mais estressante. Tenho acompanhado, e já não é de hoje, as idas e vindas, voltas e reviravoltas do teu coração. Sei como você é intensa nas emoções”.”Eu tento não me afetar muito com isso, e curtir minha propria familia, mas acho que faz parte da vida de todos. Já li mais de uma vez ensaios de escritores sobre a agonia do Natal... Mas de qualquer modo, espero que você consiga fazer a poeira assentar, e que teus desejos possam ir se realizando. Beijos com todo meu carinho.”

São alguns trechos do e-mail de hoje do Fábio, comentando um desabafo sobre minha agonia de final de ano. No dia 12 eu escrevi para ele:

Acho que não ando nos meus melhores dias... E o lado emocional reflete sobre o físico.
Estou numa batalha comigo mesma para superar as crises. Final de ano é uma tremenda barra para mim. No ano passado, era o meu irmão doente... concentrei-me na terrível certeza de que aquela seria a última passagem juntos. Comecei ontem a contar minha historinha de Natal... foi num Natal de 1978 que dei a guinada mais importante da minha vida, num lance cinematográfico, correndo em plena av. Paulista por volta de meia-noite para fugir do namorado. Pedi socorro a um amigo que chamou outro com quem acabei me
casando sete meses depois... Isso aconteceu há 23 anos. Diferença é que agora não posso mais fugir.”


Quando comecei meu primeiro blog, lá no Desembucha, prometi que isto não seria um muro de lamentações. E não vai ser.

Apesar desses faniquitos, eu estou feliz!

As lembranças de tantos outros natais cavocam muitas saudades, imagens do passado... cenas familiares em que se incluem pessoas queridas com quem dividimos a mesa. Considero essa melancolia normal e não uma coisa negativa. Lágrimas são inevitáveis quando me recordo das ceias em Maranduba, com as crianças pequenas. A alegria do meu cunhado... Os preparativos do meu irmão para ficar com os filhos, as programações do cardápio, presentes incontáveis. O Papai Noel (eu costurei a primeira fantasia) e o suspense todo com as crianças. Foi uma época muito gostosa. Naquela fase, só lamentava que meu pai não pudesse participar da festança, tantos netos reunidos. Agora, as ausências são muitas...


quinta-feira, dezembro 13, 2001

Terça-feira vi Julius. Como sempre, não consegui falar nada de “sentimentos”. Mas tive sensações incríveis de “comunhão”, como ele diz. Aquela coisa de olhos-nos-olhos, abraço apertado, muito apertado.

Ontem quase perdi a hora da formatura. Quando me dei conta, faltava apenas meia hora para o evento. Nunca havia ido à S. Francisco. O lugar é maior do que imaginei e o salão, austero e suntuoso. O culto ecumênico foi curto. Demorou um pouco pois foi complicado acomodar tanta gente. Consegui um lugarzinho apertado na escadaria, quase encostada no teto do terceiro andar. E andei várias quadras de salto alto. Resultado: fiquei quebrada, travada. Fui fazer uma massagem à tarde, com um profissional de shiatsu, na Liberdade. Fiquei mais dolorida, mas espero acordar melhor.

Hugo adorou o presente e o meu irmão, mais ainda. Mas o que mais fez sucesso foi o cartão, com uma caricatura feita pelo Paulo. Meu irmão chegou exausto, quase no final da cerimônia (o avião desceu às 20h30). Disse que examinou alguns verbetes e gostou. O livro é lindo, fiquei tentada, mas vou agüentar e esperar o CD.

Mandei o link do blog para um novo amigo, que me escreveu pelos Amigos Virtuais. Ele é músico. Entendeu o espírito da coisa e aprovou. Disse que vai criar um também. Havíamos combinado de nos encontrar “no escuro”, sem nos descrevermos ou trocar fotos. Mas hoje ele me enviou a URL da banda dele e eu enviei umas fotos por e-mail. Penso que não o assustei...

Mas nem todos “estranhos” compreendem o que eu escrevo. Uns entendem como provocação, principalmente com o lance da massagem. Eh, eh, eh... Outros acham que eu sou ficcionista. Claro que, de vez em quando, deixo fluir um pouco do lado ficcionista, que o texto não fique tão chato... mas garanto que não invento fatos. O que eu faço aqui é dar um colorido pessoal em coisas comuns que acontecem na vida de qualquer um.


terça-feira, dezembro 11, 2001

Eu estou feliz hoje. Vou ver Julius. Será provavelmente nosso último encontro deste ano. Ele disse que gostaria que passássemos a noite juntos. A idéia me enlouquece, mas eu tenho medo. Talvez quebre o encanto. Amanhecer não é algo muito romântico. E depois, acho que já abusei demais, na semana passada.

E amanhã tenho de enfrentar a formatura do meu sobrinho Hugo, na São Francisco. Será um evento em grande estilo, com toda pompa de uma faculdade tradicional. Meu irmão e a família estão orgulhosíssimos. Certamente, terá carreira brilhante. Só espero que não precisemos da escolta desta vez. Acho que não, está tudo calmo.
Logo pela manhã, vou comprar um presente especial. Já resolvi: será o lindíssimo e novo Dicionário Houaiss. Embora tenha lido em algum lugar que só o autor deve fazer dedicatórias em obras, pretendo escrever alguma coisa como:

"Que seja este o guia para a busca da palavra adequada na trilha da justiça"

A idéia de que faltam duas semanas para o Natal me assusta um pouco. Eu ainda não sei o que vou fazer. Minha filha vê a possibilidade de ir com o pai visitar a avó em Minas. Eu também tinha idéia de ir a Minas, ver o meu irmão bronco, dar uns puxões de orelha nele. Mas depois do lance de ele ter me pedido para quebrar galho no vestibular do sobrinho, tivemos um arranca-arrabo meio feio.

Acredito que terei coragem de passar o Natal sozinha, talvez na companhia de uma amiga. Acho que tenho algumas sim!

Minha jovem amiga artesã do Estado do Rio leu este blog e comentou:

"Oi minha linda!!!!!!
Sabe q vc reavivou minha memória, lembrei de tudo agora quando vc me contou de novo....eu lembro dele, lembro da sua amiga q partiu e lembro do carioca.....lembro até da esposa acredita!
Só não tava ligando o "nome à pessoa" Acho q minha cabeça tava quente com aquela massagem toda......=)
Conta mais tá!?
Eu viajo quando c escreve...parece q tô sentadinha do teu lado, tomando meu chazinho....e conversando com vc......demais!"


Ela também tem uma história incrível de vida. E a incentivei a fazer os relatos num blog, mas parece que está muito ocupada com a decoração da casa, a nova vida que planeja para 2002. Estou na torcida, de coração. Embora a gente não se conheça pessoalmente, há uma ligação "espiritual" entre nós.

segunda-feira, dezembro 10, 2001

É verdade! Tenho pelo menos um leitor "desconhecido". Tá certo que foi caçado meio a tapas, mas fiquei feliz em saber. Hoje recebi um e-mail do Picareta:
" É claro que eu me lembro de vc. Aliás, eu tenho acompanhado suas peripécias no blog. Eu tenho inveja de vc, que tem uma vida amorosa movimentada, escreve super bem e faz o que gosta. Quiçá um dia eu chego lá."
Conferi. Não é que estou lá, na lista dele? "Mas eu não estava completamente desligado. Lia sempre o Cantinho Terrorista, até sua recém-extinção, o Catarro, o Amigo Triste, a Surrealidade e o Soumaiseu. "

Valeu a massagem no ego!

Fiquei sem o speedy desde quarta à noite. Um horror essa abstinência. Só consegui superar graças ao encontro de quinta e muito trabalho. Mesmo assim, foi dureza ficar esperando o técnico da Telefônica, que ainda não apareceu. Já fiz até promessa a Santo Isidoro, o santo dos internautas. Mas não sei bem que tipo de promessa ele vai achar válida.

Ontem fui ver "All you need is love", uma homenagem aos Beatles. Vibrei, amei, adorei! Que gente linda, talentosa, de altíssimo astral. Sentei no gargarejo. Olhava para o cenário estrelado, deixei-me levar pelo som familiar, senti-me em êxtase.

Os novos contatos que apareceram no ICQ são dose! Mesmices, chatice total! Frases repetidas. Que falta de espontaneidade, de criatividade. Como as pessoas podem se encontrar copiando e colando textos alheios?

sábado, dezembro 08, 2001

Sexta-feira entreguei os pontos por volta das 18h (pudera... dormi apenas umas 4 horas na outra noite). Acordei às 22h30 e identifiquei duas ligações para meu celular, com intervalo de 3 minutos. Os dois números eram da mesma área, do interior de São Paulo. Retornei no sábado. Em ambos, vozes femininas. Uma delas é da cidade onde mora a mãe de Julius. E o nome, da mulher dele!
Coincidência? Pouco provável.
Terá sido ele? Não creio. Nunca me ligou sexta à noite...
Tomara que não dê nenhuma zebra!
Pois é.. não teve a noiteda semanal com Julius. Mesmo assim, na sexta, não faltou uma poesia.

No encontro com o Budista, quando, se defendendo no ataque, me falou que eu estava sozinha por ser desconfiada, disse a ele que não é verdade. E que eu tinha a certeza de ter encontrado o homem da minha vida. Não foi mentira. Não resisto a tantos versos!

Da janela vejo o mundo,
paulicéia engarrafada
cinzentos seres perdidos
sentidos embotados
engravatados e enfadonhos
tristonhos e perplexos.

Da minha janela quadrada
vejo o mundo redondo
bola da vez sem regras no jogo...

Da minha janela transparente
vejo um mundo sem cor
muro impenetrável para um coração carente..

Da janela da minha alma
vejo um céu sem propósito
depósito de esperanças de um povo..
mas de novo espero e proponho
um mundo colorido sem fronteiras.

Da janela da minha alma
vejo pessoas sem futuro
vejo o futuro da minha raça comprometido
por capitalistas desvairados
que permitem crianças serem trucidadas
ainda no ventre
ainda semente
somente pelo lucro...

Da janela do meu micro
vejo um mundo instantâneo
resolvido e alienado
permitido e condenado
pela superficialidade
da transitória solução dos displicentes.

Da janela do meu coração
vejo sentimentos equacionados
regras, números, estatísticas,
cabalísticas profecias
de um mundo resolvido.

Da janela do meu prédio
nada vejo pois que outro já me oculta
apenas uma parede insensível
como vejo o que não vejo em tantos outros...

Da janela da poesia
ousadia nos espera
idear soluções harmônicas...

Você despertou-me a poesia
e com ela traço, refaço, sonho,
vou ao teu colo num pensamento
e sou feliz pelo eterno momento
em que me encontro em teu sorriso.

Das janelas de outros seres
vejo olhos suplicantes
prédios balouçantes
carros e viajantes
humanidade sem direção
como eu sem minha musa..

Toma-me em tuas mãos
e me desconstrua
para refazer-me
verso a verso
em teus lábios,
em tuas letras,
em tuas coxas,
em teu sexo,
em teu gozo....

Toma-me em teus braços
e me aconchegue nos teus seios
dê-me o leite da vida,
o motivo do oxigênio,
o sentido das horas perdidas,
a inspiração perseguida.

Toma-me em tua alma
e expulse de mim este mundo chato
que insiste em residir na memória próxima
que cobra atitudes indesejadas
que me reduz a mais um rosto sem identidade...

Toma-me em teus lábios
e dê-me com tua língua ardente
a mordida que acorda
para tempos impolutos.

Toma-me em teu ser
e deixa-me ser
tão somente minha essência
que prometo te pertencer
de hoje até o sempre...

Toma-me em teu ser
e permita que eu seja
tão somente minha essência
que prometo te pertencer,
do modo que você deseja:
pueril como a inocência.
No meio desta semana de muito cansaço e correrias , em que nem tive tempo pra ir fazer uma massagem, uma surpresa: um e-mail do meu grande amigo avisando que viria ontem a São Paulo e passaria a noite aqui. E um inusitado convite para uma sessão de massagens. Avisou-me para providenciar os "óleos" pois não traria a maleta de assessórios. Fiquei atônita com a idéia de receber massagens. Não podia acreditar no que meus olhos leram. Fantasia? Jogo? Pelo sim, pelo não, a idéia me deixou ouriçada. Lembrei-me de um "óleo para massagens" da Natura e coloquei na bolsa para ir vê-lo.
Não fazia muita idéia do que rolaria, mas fui preparada para tudo, pelo menos com uma langerie adequada e uma roupinha prática, que não amassasse.
Ao anunciar, no hotel, o recepcionista avisa que ele descerá em 5 minutos. "Descerá?" - pensei comigo: "Isto significa que vamos jantar no salão, comportadinhos?"
Não! Foi simples gesto de cavalheirismo. Nos cumprimentamos com abraço apertado. E subimos. Com ar maroto, mostrei o óleo. Cinco minutos de papo e ele ajeitou a cama, avisando pra tirar a roupa e me deitar, que iria iniciar as massagens. "Tirar a roupa?" - perguntei, me fazendo de besta. "Pode ficar com as roupas íntimas" - avisou ele com ar profissional, enquanto se despia também.
Não é que o homem entendia mesmo de massagens? Ai, que delícia! Enquanto bezuntava as mãos de óleo, começando pelos pés, subindo pelas coxas e tudo, conversávamos amenidades. Nem tínhamos muitos assuntos a colocar em dia. Afinal, "conversamos" com bastante freqüência pela Internet.
A sessão levou pouco mais de uma hora. Ponto culminante foi quando ele me mandou virar de barriga para cima. Escondi o rosto com uma toalha. Morri de vergonha. Pensei nas mil coisas sobre as quis conversamos ao longo destes cinco anos. Lembrei-me de papos mais picantes que tivemos sobre sexo pelo Freetel.
As mãos macias e ágeis subiam e desciam, dando voltas por todo o corpo. Tapinhas profissionais, gestos idem. Ele de cueca em cima da cama. E eu rindo, entre nervosa, excitada e constrangida.
Já estava achando que não ia acontecer mais nada, quando me ofereci a retribuir a "terapia", do meu jeito. Eh, eh, eh…Comecei pelos ombros, passei pelo pescoço, pelos braços. Quando passava pelas mãos, às vezes ele apertava as minhas. Sensação boa, aconchegante. Diferente das outras que experimentei naquela situação, ou seja, quase pelada, em cima da cama. Parecia que ele estava gostando sim. Mesmo assim, só deu pra ter certeza quando rolamos abraçados. Abraço gostoso, quente, macio. Estava ele de cuecas e eu de calcinha ainda. Aí, falei que achava melhor tirarmos o resto das roupas... E.. pronto! Superei o bloqueio, ainda constrangida. Os invevitáveis pensamentos femininos de sempre. E fiquei tentando ler a mente dele, enquanto ia às vias de fato.
Depois disso, nos curtimos mais um pouco, enquanto o papo fluía naturalmente. Não senti as horas passarem.
Não foi uma maratona em busca de vitórias.
Não houve delírios, promessas ou sonhos.
Mas foi muito gostoso.
Ele disse que adorou. Eu acreditei.
Sei que cheguei ao hotel às 22h e voltei para casa às 3. Por mim, quase aceito o convite para amanhecer por lá. A vontade era grande. Mas o coitado tinha de se levantar antes das seis, para pegar o vôo das 08h30.
Ufa! Mais um preconceito que superei! Transar com um amigo pode ser uma coisa deliciosa, sem que isso macule o relacionamento e/ou traga pesos na consciência. Aliás, eu sempre aprendo muito com esse amigo. Só cheguei a pensar em sexo virtual como coisa que não fosse de malucos quando ele me contou (há 5 anos) que chegou a fazer com a própria mulher, quando ele estava na Europa e ela na Ásia.
Ah... Pena que o tempo foi curto. Mas ele prometeu voltar em breve para acabarmos com o óleo que comprei.

"Mudou alguma coisa?" - perguntei a ele na despedida.
"Agora somos amigos íntimos!" - foi a resposta.

E ele pergunta:
"Vc vai contar sobre esta noite no blog?"
"Me aguarde!"
- foi minha resposta.

terça-feira, dezembro 04, 2001

Domingo aconteceu uma coisa inesperada. Recebi um telefonema do Budista. Creio que a última notícia que tive dele foi no início do ano. Começou me chamando de “meu bem, meu amor” e contou que está de volta a São Paulo. Velhas juras e promessas de amor infinito, eterno. Coisa muito curiosa, intrigante. Pensei comigo: “não vou deixar escapar!” Apertei o cerco e fui lá, ao encontro do tal, na toca do lobo.

Sabia que seria um bicho. Não tinha certeza se seria lobo, tigre, leão ou o que.

Não passou duma jaguatirica assustada. Animal que chama a atenção mas não tem o porte de um tigre e nem pode ser domesticado feito gato. Arisco, arredio, matreiro. Sonda por muito tempo e se aproxima do galinheiro apenas no desespero, quando não avista mais nenhum bicho selvagem. Assim é esse sujeito. Arma tocaias, finge-se de morto, esconde as unhas e por vezes ronrona. Vai atrás da caça mesmo que não tenha fome. Felinos passam o tempo se distraindo com possíveis vítimas, mesmo que não queiram comer. Precisam brincar sempre para se manter em forma. Pulam sozinhos quando nada têm a fazer, apenas para estender os músculos. Diferente de um urso, por exemplo, que quando busca um pote de mel quer engolir tudo de uma vez, lamber, se lambuzar, comer até as abelhas se for possível.
Nesta comparação de homens e bichos, Julius, meu poeta barroco, seria um urso, sem dúvida. Guloso, faminto, porém muito tranquilo,meigo e brincalhão quando saciado. Nem pense em levar um papo com um urso esfomeado. Toda criança quer apertar um ursinho nos braços. Ursos encantam pela simples presença, pelo jeitinho. O problema é que quando são grandes, uma patada carinhosa pode ser fatal. Ainda não sei é fácil domesticar um urso. Creio que só domadoras muito seguras consigam tal proeza.

Os animais domésticos mais comuns são o cão e o gato. Difícil é manter em casa os dois: um cachorro e uma gata ou uma cadela e um gato. Eheheh.

A história ~do budista é bem comprida. Tentarei resumir. Por ora, apenas o primeiro capítulo.

Como conheci o budista
Há pouco mais de dois anos, coloquei um anúncio nos Amigos Virtuais da Uol. Ele me escreveu dizendo que era advogado, da área criminal. Falou que era budista, masson, que seu hobby era a culinária. Depois de trocarmos alguns e-mails e telefones, no final de 99, nos vimos uma vez, no McDonald´s da Liberdade, lugar que ele sugeriu por ser freqüentador do pedaço. Apareceu de óculos escuro, terno azul claro de linho. Roupa bem talhada mas muito estranha. Principalmente os sapatos azuis. Disse que gostava de quebrar um pouco o visual sisudo dos advogados. Comentou que iria à Apamagis – Associação Paulista dos Magistrados. Se ele queria me impressionar, conseguiu. Vacilei e revelei meu nome verdadeiro. Logo ele associou me sobrenome ao de um parente famoso, que estava na pauta das notícias do dia.

Amanhã (ou mais tarde), o segundo capítulo: "O sócio de famoso advogado"

sexta-feira, novembro 30, 2001

Nossa.. eu passei dias em parafuso.. Lutando comigo mesma.. Controlando os sentimentos, andando meio feito barata tonta... Perdida, a ponto de ter colocado novo anúncio em Amigos Virtuais. O objetivo era desencanar Julius... Recebi dezenas de e-mails.. Só tranqueira! Tentei quebrar a monotonia, e o antídoto funcionou do contrário. Hoje eu entreguei os pontos... Nao vou achar ninguém que chegue aos pés do meu "poeta barroco"... Pena que ele seja tão ocupado! Vou tentar me concentrar nas últimas palavras dele:

" cada segundo juntos
valem um século de solidão..."

Acho que será difícil nos vermos novamente este ano. Ainda mais com os novos negócios, outra mudança de casa e meus problemas de trabalho e família.

Mas, apesar de tudo, tive a esperança de que pintasse algum contato interessante, alguém que preenchesse certos vazios.
Apareceu um mestiço de 45 anos, funcionário de uma tele. Foram 3 dias de papos deliciosos. Conversamos por telefone e ele tinha uma voz macia, muito atencioso. De repente, na hora de marcar de nos conhecemos, o homem se revelou. Falei em café.. E na hora do "onde", ele não abriu mão que fosse em motel. ahahahah...
que cara-de-pau!

quinta-feira, novembro 29, 2001

Ufa, ufa, ufa!
Finalmente, estou feliz! Como não fico há tempos.

Começava a me angustiar como final do ano. As semanas anteriores foram estafantes. A falta de notícias de Julius me deixava agoniada. Ele anda desligando o celular em SP, para evitar o roaming. Ufa, ainda bem que foi só isso.
A última noite foi fantástica...
Dá até vergonha, mas não resisto à vaidade de mostrar o que recebi:

Os momentos se esvaem entre os dedos do prazer, do viver, do sentir
as dúvidas esmaecem ante os suspiros dos amantes
o tempo desliza entre os sonhos
as letras se apagam com as luzes dos anos..

alcaçamos, no entanto, a pureza do querer
sem mais querer do que a felicidade do outro ser...
queremos tanto que nos esquecemos de nós mesmos...
e esta reflexão nos remete a outros níves de entendimento...

te entendo na diferença,
na ausência ou na permanência,
na respiração ou indigestão
quando somos obrigados a engolir tantas decepções...

te procuro na noite,
na cama, no banheiro,
na masturbação...

te encontro em minha pele,
teu cheiro que impregna meu olfato...
de fato é o cheiro do sorriso,
do suor, do brilho, do cabelo...

te procuro em minha alma
e o que vejo é o retrato
da minha própria busca...

e assim nossas vidas
tornam-se mais completas
deste calor, deste humor,
e repleta de energia..

e assim nossas esperanças se fortalecem
na certeza de poder contar,
contar para, encontrar em,
sentir em comunhão...

desta forma o pensamento é aliado
esperado, nutrido, querido...

desta forma as formas não importam...
apenas a certeza de você, de nós,
de que cada segundo juntos
valem um século de solidão...

terça-feira, novembro 27, 2001

Sexta, depois de um bom tempo sem sair à noite, fui ao teatro. Finalmente, depois de muitos cancelamentos, vi "Vítor ou Vitória", antes que saísse de cartaz. Pelo menos fui sem muitas expectativas. Mas a montagem é bem fraca. Muita pretensão da Marília Pêra. A noite estava muito agradável e cheguei um bocado tarde, depois de esticar para um jantar após o espetáculo.
Sábado foi meu dia de boa samaritana. Acompanhei meu amigo Alberto ao Masp, para vermos a mostra do Egito. Achei que era um programa bobo, mas até que valeu a pena. Só mesmo ao vivo para ter idéia exata das texturas dos objetos que vemos em revistas e filmes. Depois, seguimos para a Liberdade, onde almoçamos e conversamos bastante.
Mesmo com tantos tombos, esse meu amigo não tomou jeito. Continua petulante, orgulhoso e preconceituoso. Mesmo assim, não deixo de ser amiga dele. A gente não deixa de gostar das pessoas só porque elas são más. Ainda bem que eu tinha só 70 reais na carteira. Voltei com menos de 5. Fiquei com tanta pena dele... Claro que se tivesse mais dinheiro, teria levado o cara a um restaurante bem legal.

segunda-feira, novembro 26, 2001

Hoje fiquei p... da vida. Estou triste e furiosa porque descobri que tenho um irmão completamente imbecil! Teve a coragem de me ligar para pedir para interceder junto ao outro irmão para ver se descolava uma vaga no ITA para o filho dele! O coitado acredita que tudo são cartas marcadas e acha que o outro pode estalar os dedos e fazer um milagre! Com quem ele imagina que possa descolar essa vaga? Com FHC? É o fim da picada! Fim da picada pensar que tal coisa é possível. E mesmo sendo possível, supor que a gente possa se envolver numa maracutaia dessa! E finalizou o telefonema dizendo: “você é muito ingênua”!
Pior do que desacreditar totalmente na capacidade do filho é duvidar da integridade do irmão. Chorei de raiva.

sexta-feira, novembro 23, 2001

Vou parar de me preocupar com os que não me entendem. Acho que cada um interpreta as coisas conforme o que vai na alma. Os que estão tristes ficam tristes por qualquer coisa. Quem tem grilos vê os bichinhos verdes em qualquer canto. Se eu sou maluca, sou maluca saudável.

Chega de lamentações. Daqui a pouco vou ver "Vítor ou Vitória" e tirar a prova. A crítica falou bem no começo, mas agora tem gente que saiu no meio.
Depois eu conto o que achei.
Muitas pessoas acham que meus textos andam tristes.
Eu estou melancólica, hipersensível. Estou intrasigente, intolerante. Não é tristeza.

Acabei de receber um e-mail do Fábio, em resposta a outro que enviei na noite de ontem, dando condolências pela morte da tia dele. Eu estou sensível e fiquei emocionada ao saber que ele se lembrou de mim nesta hora. Acho que isto é afinidade de fato.

A tia do Fábio se matou. Também deu um tiro no ouvido, igual meu irmão. Só quem passou por esta situação com alguém próximo faz idéia do que é viver este drama. Só quem tem sensibilidade compreende que não dá para julgar. E tem certos comentários que a gente só aceita ouvir de quem a gente gosta.

Fábio é um amigo tão importante para mim quanto Ângela. Ele está longe, mas sempre perto do meu coração. Sabemos disso.

quinta-feira, novembro 22, 2001

Incompreensão, interpretações erradas dos que lêem este blog têm me desestimulado a escrever. Muitas das reações equivocadas me deixam frustrada como profissional de comunicação. Parece aquela coisa de “casa de ferreiro, espeto de pau”.
Do mesmo modo que coloquei nos primeiros posts, ainda no extinto Desembucha, continuo com a mesma alegria de viver, mesmo nos momentos em que a luta diária se torna exaustiva. Embora minha vida “amorosa” não seja um modelo, acredito que sou uma pessoa emocionalmente resolvida.

O fato de continuar na minha rotina de conhecer sempre novos contatos, novos amigos masculinos, não indica que eu esteja infeliz. Significa apenas que não estou fechando os olhos para novas oportunidades. Quanto mais conheço outras pessoas, mais certeza eu tenho de que não existe ninguém como Julius. Claro que eu estaria mais saltitante se não fossem tantos desencontros. Mas isso não me aborrece. Estamos curtindo a saudade... Ontem ele escreveu: “Ainda sinto teu cheiro... tênue, mas sinto...”. Meus olhos se encheram de lágrimas. Mas só porque fiquei emocionada. E nunca deixamos de nos falar. Falamos de coisas banais, dos nossos trabalhos, dos filhos, do vestibular, dos problemas que enfrentamos. Não dá nem pra namorar por telefone. Nunca fizemos isso. Agimos com naturalidade. Mas a cumplicidade e o elo estão presentes em todas as entrelinhas dos diálogos. Eu sempre torço por ele e sei que ele também por mim. Essa certeza é muito grande, com os dois pés no chão.

Na sexta-feira depois do feriado, fui tomar um café com Jimmy, judeu americano de origem polonesa, que me pescou no White Pages. Charmoso, elegante, culto, professor de MBA e colunista da Exame. Divertido, bem-humorado, com lindos olhos azuis por trás de óculos cristalinos de lentes bem talhadas. Mas nem tudo é perfeito: cinco casamentos, seis filhos e quatro netos! Como diz minha amiga Blaquita, “esse homem é um perigo internacional!” Eh, eh, eh!

Ele fez um baita interrogatório sobre os mais variados temas, colocando mil questões, de assuntos profissionais a pessoais. Falei com transparência e sinceridade, só com certo cuidado na construção de frases (senti-me avaliada feito mercadoria). “Você é muito interessante!” – repetia ele o tempo todo. Perguntou-me se já fiz alguma terapia na vida. Quando respondi que não, ele ficou admirado e comentou que eu sou uma pessoa “muito bem resolvida”. Fiquei envaidecida com essa avaliação. Mas um pouco frustrada que acho que ele não se interessou muito por mim... Ah, mesmo que a gente não queira, sempre desejamos ser cortejadas! Faz parte da natureza feminina.

Ah... fomos ao Franz Café e quando nos sentamos, ele revirou os bolsos e disse que deixou a carteira na empresa. Queria que fosse com ele buscar. Preferi arcar com os quase seis reais a ir até o tal escritório, na Paulista, num dia em que não deveria ter mais ninguém trabalhando. Eh, eh, eh... Vai que ele fosse doido… Nunca se sabe, né?

segunda-feira, novembro 19, 2001

Ontem morreu a dona Berta, tia de minha grande amiga Ângela.
Também foi o dia do vestibular de minha filha.
Depois de deixar a garota no local do exame, fui ao velório, no Araçá. A despedida foi emocionante, porém longe de tristezas. A família é verdadeiramente cristã, tanto é que o filho de dona Berta, José Manuel, é padre. Ele veio há umas duas semanas de Portugal, preparado para esta missão. Celebrou uma missa linda. Ela estava com 79 anos, tinha câncer, e aceitou tudo com dignidade e resignação. Sabendo de seu breve destino, a senhora escolheu pessoalmente as roupas que usaria e as músicas que deveriam ser tocadas na cerimônia.
Acho que minha caixa de lágrimas ainda está bem cheia, pois não pude deixar de derramar algumas.
Aproveitei que estava no Araçá para uma visitinha rápida a minha amiga Walkyria. Procurei a administração do cemitério e localizei a capela pelo nome dela. Não há ainda placas ou inscrições, mas pela porta de vidro, pude matar um pouco de saudades com uma linda foto em preto e branco que colocaram dela. De novo, aquela sensação esquisita de não compreender como agora, passados 10 anos, ela continua ainda jovem, enquanto o tempo passou para nós que estamos vivos.
Tudo que passei ontem apenas aguça minha sensibilidade. Não estou triste.

sábado, novembro 17, 2001

Não tive mais tempo ou paciência para escrever aqui.

Retomei contato com Y a r a, uma amiga de infância. Depois dos agitos por conta daquele encontro, telefonei para o irmão dela e consegui o telefone dela. Mora no Butantã, em São Paulo. Ele ficou muito feliz que eu tivesse ligado e conversamos bastante.

Transcrevo o e-mail que mandei pra ela depois do papo:

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Nossas recordações, envoltas pela névoa do tempo, ficam por vezes muito embaçadas. Porém, a cada nome citado, as imagens parecem se recompor, tomando forma aos poucos. Quando você me falou de Masanori, lembrei-me de um menino magrinho, moreno, de cabelo curtinho.

Eu tenho excelentes recordações de você. Nunca me esqueço da primeira noite que passamos no shogakusha: eu, você e M i t i k o Endo. (Nossa, como e tive medo! O reflexo fantasmagórico do luar e o pio das corujas). Lembrei-me daquelas galochas ridículas de borracha que nossos pais compraram pra andar no barro... ehehehe. Tenho nítidas em minha mente as cenas de nossas brincadeiras depois da chuva, no pátio alagado. Recordo-me também dos banhos coletivos de ofurô, as brincadeiras...

As pessoas mudam mas a essência prevalece. Podem existir momentos em que, levados por fatores circunstaiciais, nos tornemos mais distantes, mais duras, mais tristes ou mesmo mais alegres. Entretanto, no íntimo, preservamos a personalidade que já demonstrávamos quando crianças. Na maturidade, o esnobe apresenta-se exibicionista e o solícito e humano acentuam sua solidariedade.

Lembro-me de você como garotinha muito risonha, de voz rouca, extrovertida e rechonchudinha.

Você está muito bonita, elegante... O visual mudou bastante (para melhor). Mas ao falar com você, senti que era a mesma menina!

Com a Fumi, senti a mesma coisa. Tenho gratas recordações dela, da Célia, da Júlia (de Atibaia), da S h i n o b u, da Harumi... Elas me ajudaram muito.

Tenho vontade de procurar algumas pessoas daqueles tempos. Lembro-me bem do H i l t o n T a k a h a s h i , assim como dos outros rapazes de SP: Ro berto H o n m a e Renato M o r i. O Renato, tornei a reencontrar na adolescência, em algum baile. Mas cada um de nós estava em outra e conversamos pouco.

Com a Kimie e os irmãos, mantive contatos esporádicos, também em festinhas e bailes, durante o período em que morei na cidade de Bragança. Entretanto, parece que sempre houve um bloqueio em falar de coisas do shogakusha. Com Á l v a r o Y u k i o, o dentista, nunca consegui um papo!

Depois de um ano aqui, estudando no Alberto Levy, na av. Indianópolis, fui morar no Lavapés. Fiz o ginásio e o colegial na Cásper Líbero e também o técnico em Contabilidade no Rio Branco. Minha vida social girou muito tempo em torno do "seinen-kai", a Nipo. Minha melhor amiga durante essa fase foi V e n í c i a O t a n i, filha do gerente da cooperativa.

Falar mais alguma coisa desses 35 anos daria vários livros! rs... Mas acho que ainda é cedo para começar uma autobiografia... rs...

domingo, novembro 11, 2001

Ontem teve um encontro da turma do Pensionato de Bragança. Reuniu gente que não se via há 38 anos. Foi na casa do meu irmão. Não fui pois ninguém da minha idade confirmou presença. Só tinha pessoal da faixa dos 50. Mas hoje liguei pro mano e escutei as fofocas e peguei uns números de telefone.. Já liguei pra uma amiga daquele tempo, a Fumi, que mora agora em Várzea Paulista. Não nos falávamos há 34 anos, desde o final do ano de 1968! Moramos juntas 3 anos e nos separamos quando eu terminei o "grupo" e ela, o "ginásio". Naquele tempo, ela parecia muito mais velhoa do que eu, quando tínhamos 10 e 14 anos. Agora, eu com 44 e ela com 48, as coisas mudaram um pouco. E o fato de eu ter uma filha de 16 e os dela terem ainda 12 e 8 nos coloca também em outras situações. Hoje, meu irmao contou parte das fofocas.

Gostaria de ter ido só para rever Fumi e mais uma pessoa, o Mário. Mário é uns 8 anos mais velho do que eu e cursou engenharia na USP, depois nos reencontramos em outra fase, quando eu tinha 15 anos. Foi ele quem me enviou aquele buquê, no dia do meu aniversário. Tenho boas recordações dele, apesar de nunca ter dado muita bola pras cantadas. Desde aquele tempo, eu tinha um problema: odiava ser vista com baixinhos! Segundo meu irmão, ele não é nem sobra do que era. Apesar de ser executivo da Petrobrás, nem quis fazer discurso. Meu irmão se divertiu muito, desconfio até que tá em campanha. Digo, não para ele, mas para dar uma força pro governador, o chefão. Só espero que as coisas parem por aí.. ou no máximo com mais um mandato.

Ah, o pensionato a que me refiro hospedava filhos de agricultores japoneses, para que pudéssemos estudar. Lá, tínhamos aulas de japonês e fazíamos curso regular em escolas públicas. Meu irmão mais novo morou lá sete anos e eu, três. Fiquei nesse lugar dos 8 aos 10 anos, da segunda a quarta série do antigo grupo escolar. Tinha meia dúzia de amigos de minha idade pois eu era a caçulinha da turma. Infelizmente não conseguiram retomar contatos com as pessoas que foram minhas amigas. Mas nova reunião está marcada para o ano que vem, em novembro. Vamos ver... Quem sabe, eu crio coragem!

sábado, novembro 10, 2001

Muito calor. Estou cansada, indisposta. Fui dar uma volta na Sta Efigênia. Finalmente criei coragem e comprei um cartucho laser novo. 250 reais. Praticamente o preço duma impressora comum. Mas... fazer o quê? Ossos do ofício.
Passei pela loja do Amaury e conversamos um pouco. Ele me recebeu animado e radiante. Falou bastante de Julius, das compras que ele fez lá na loja. Fiquei aliviada e feliz. Sei que é paranóia boba, mas de vez em quando eu encuco umas coisas... Afinal, apesar de ele nunca ter me decepcionado, caído em contradição ou coisas assim, ainda tem uma aura de mistério. É diferente de quando a gente conhece a pessoa num ambiente de trabalho ou nas vizinhanças. Ainda o estigma de nosso contato inicial ter sido pela Internet. Situação é bastante diferente com JB pois não dá pra ter dúvida alguma quanto à identidade e pessoa, mesmo que não fosse colega de profissão. Nem existe qualquer possibilidade do cara desaparecer. De vez em quando me dá um frio na barriga só em pensar que, se de repente acontecer algo a Julius, eu nem fico sabendo. Claro que é uma hipótese muito fatalista, trágica. Não vai acontecer nada de ruim. Esse mistério de amigos inicialmente virtuais se aplica a homens e mulheres. Semana que vem devo conhecer uma amiga: Marisinha, que vem de Ribeirão. Tenho dúvidas também em relação a algumas coisas que ela me conta. Ela se mostra muito "nihnjin" demais, considerando que é mestiça, filha de mãe ocidental. Só conferindo!

Depois de muito tempo parada, conheci na semana passada uma porção de gente nova. Na verdade, houve uma avalanche de pedidos no ICQ. Acho que algo mudou com a versão 2001. Só pode ser isso. Ou é nova leva de ex-excluídos digitais chegando. eeheheh. Muita gente de baixo nível. Devem ser aquels do computador do milhão. Sem preconceitos. eheeheh. Entre os que me responderam no Parperfeito, destaco Fernando. Pelo ICQ, único que estou preservando por uns dias é Fred. Vamos ver como os papos evoluem.

quinta-feira, novembro 08, 2001

Cortei o cabelo curtíssimo. Pena que não tenho câmera pra colocar a imagem aqui, que nem a Cora Ronái. Mas se eu colocasse, iria acabar com minha identidade secreta. Eh, eh, eh! Repiquei tudo e raspei o pescoço. A franja ficou comprida e tem pontas triangulares embaixo das orelhas. Ficou diferente do habitual chanel que mantenho há uns dez anos.
Tinha marcado de ir ver Julius no Ibirapuera. Deu tudo errado. snif. Os desenhistas que trabalham comigo resolveram aparecer aqui, com uma surpresinha na hora do almoço. Há muito tempo, um deles havia comentado de uma lasanha vegetariana que ele mesmo faz. E justo hoje, resolveram me trazer. Encomendei almoço correndo e mudei toda a programação. Que droga! Agora, só semana que vem.. A porcaria é que eu estou sem celular. Cedi o meu pra minha filha, desde que roubaram o dela. Espero que amanhã chegue o que eu comprei de um amigo. Assim, volto a me comunicar com os amigos secretos! É muito chato eu ter de ficar ligando.