sábado, março 08, 2003

Complementando o que escrevi ontem sobre "fowardeiros" contumazes, um trecho do comentário que fiz a um deles:

Devemos todos questionar a veracidade das informações antes de conclamarmos um "passe para todos da
lista". E quando não quiser assinar embaixo, é melhor avisar. Do contrário, eu entendo que o remetente esteja concordando e pedindo - em seu nome - que aquele conteúdo seja divulgado.


Claro que a pessoa ficou aborrecida. Ficou chateado, sobretudo com o fato de tê-lo citado (apenas o primeiro nome). Mas foi algo que fiz "sem querer querendo", referindo-me ao fato de muitas vezes a pessoa se valer do cargo, da posição, para dar peso a tantas insignificâncias que circulam pela Internet.

Digo mais: se alguém quer ter suas mensagens valorizadas deve separar o joio do trigo, colocar-se na postura do receptor.

Outra coisa: os cartões pelo Dia da Mulher. E de todos esses dias. Não, nao sou contra cartões. Mas tem gente que parece que desaprendeu a escrever! Não consegue colocar uma única frase personalizada, nada seu. E passa adiante, passa adiante... Isso tem sentido? Igual político distribuindo cartões em ano de eleição: tudo igual pra todo mundo. Vale muito mais um cumprimento personalizado. Se for sincero o desejo.


Nossa... São apenas 4 dias sem Julius.
Mas parecem eternidade. (frase mais do que feita).
Olho pro horizonte, pro pôr-do-sol, pro luar... e penso nele, com um suspiro.
Na torcida, procurando nao me emaranhar nos problemas que são dele. Sei que nosso espaço é sagrado. Mas a saudade dói sim.
Dias difíceis. Eu também estou sem grana. E a gripe me desanima.
Acordei mais sensível hoje. Deparei com um cartão de meu querido Fábio. Só então me dei conta do dia de hoje: Dia Internacional da Mulher. Olhei pra telinha e vi "Tango Golf", brava mulher guerreira de Moçambique. Lembrei-me dela, enviei os cumprimentos, embora ela estivesse n/a. De repente, voltou-me à memória tudo que sei sobre ela: o marido desaparecido, o filho de 20 anos que morreu de overdose... e também a tentativa de suicídio. Aí, lembrei-me novamente como eu sou feliz. Mesmo assim, lágrimas insistiram em escorrer dos meus olhos. Lembrei-me de minha amiga Ju: ela me dizia que há dias em que a atmosfera terrestre se faz coberta de emoção, mudando o astral. Acho que hoje é um dia assim. Aí, me lembrei do ano passado, do chilique que tive diante daquele gaúcho. Tudo nesse mesmo dia: um dia depois do dia em que meu irmão se matou. Nossa.... já se foram cinco anos!

Li a reportagem de capa da revista Época desta semana: a morte da primeira mulher de Lula. Chorei um bocado.

quinta-feira, março 06, 2003

Todo mundo deve ter um amigo que só sabe dar fowards incansavelmente. Esse amigo (geralmente amiga) recebe um poema, uma historinha de fundo moral, uma piada e pronto! Delira. Formata, bota um fundinho musical (um som alto e irritante, em ritmo acelerado), um papel de parede com efeito de espelho, gifs animados, assinatura 3D... e aí, gozam no momento supremo de dar o send!

Repararam que essas pessoinhas geralmente não lêem além das três primeiras linhas do que repassam? Aí, você um dia pega a pessoa de jeito, diz pra ela:
"Sabe aquele texto que você me mandou sobre..."
E ela nem deixa você terminar, revidando:
"E então? você gostou? Não é lindo? Reparou na música divina que eu escolhi?"
Minha nossa! O pior é que deve ser um vício contagiante. A cada dia aumenta o número de pessoas que só fazem isso. Ainda não encontrei um nome pra essa mania.
Como é que uma pessoa que mal conhece você, se rotula como amiga sua e se acha no direito a despejar tudo quanto é lixo na sua caixa postal?

Todos os dias, passo os olhos por pelo menos uma centena desses e-mails. Às vezes tento pegar pesado, dando indiretas. Geralmente essas pessoas nem sabem seu e-mail de cor. Pudera, você faz parte daquele grupo (de cco, que vira "undisclosed"). Mas essas pessoas não podem entender que você tenha outros interesses, tal a ânsia em "compartilhar" as coisas maravilhosas, os textos de auto-ajuda!

De vez em quando, mando comentários em resposta a alguns desses textos. Nunca recebi réplica. Claro sinal de que elas não lêem nada, apenas os poemas, as piadas, algo que não seja pessoal.

Cheeega! eu não quero mais ser CCO!

O pior é que, quando a pessoa lhe encosta na parede e diz: "Posso manter você na minha lista?" , você não tem coragem de dizer: "Não, me tira daí, pelamordedeus!"

Outro dia, tentei fazer uma amiga entender que a maior parte das pessoas não dá atenção a esses textos, que ela está assim se tornando uma spammer. E ela insistia: "mas eu quero dividir o que eu gosto".

Com que direito as pessoas acham que podem escolher o que você deve ler? O que você quer ver?
Se fossem novidades, tudo bem... Mas são na maioria textos que se encontram nas páginas de internet.
Na prática, o que essas pessoas fazem? Vão a uma banca de jornais, uma livraria, catam o que acham bonito e tentam obrigar você a ler. Só que, por e-mail, isso nao custa nada. Ah.. e quando se lembrar de ler um trecho, às vezes mudam um pedacinho, sem se importar com a autoria do texto original. E pior: às vezes apagam o nome do autor, mudam pra outro que acham mais bonito...

Quanta inconsequência!

segunda-feira, março 03, 2003

Pela primeira vez em mais de 20 anos, tive um carnaval carnavalesco. Acompanhei o entusiasmo da minha filha, que desfilou na Camisa Verde e Branco. Nunca imaginei que uma escola de samba fosse tão legal. Gente alegre, gente responsável, gente que se entrega à alegria, com objetivo único: conquistar a vitória para a escola.

Deixei todas as amarguras e ranços de lado. Acordei de madrugada para gravar. Mas deu maior zebra na gravação. Ainda bem que dois amigos meus gravaram. Legal também a torcida desse pessoal todo.

Valeu também retomar as aulas de História. Li sobre a Revolta da Chibata, pesquei a música de Joao Bosco: "Mestre Sala dos Mares". Achei tudo muito lindo e vibrante.
Achei linda a bateria. Achei tudo maravilhoso. Voltei aos meus 15 anos, quando pulava todas as noites, completamente esquecida do mundo.

Lembrei-me de "A Hora da Estrela", "Antes do Baile Verde".

Lembrei-me de ser feliz!

segunda-feira, fevereiro 24, 2003

Um velho conhecido reapareceu no meu icq. Mandei vários recados e nada do cara responder. Então, usei aquele velho truque de abordá-lo com outro uin. Dito e feito. Respondeu. Entao, descobri que ele me mandou pro ignore. Que coisa mais chata.
Não deveria, mas fiquei muito aborrecida. Nunca imaginei. Sempre acreditei que ele gostasse de falar comigo, andasse sumido da net. Estranho é que resolveu aparecer agora "free for chat". Mostra aquela carinha amarela sorridente, pra me esnobar.

sexta-feira, fevereiro 21, 2003

Só ontem me dei conta de que estamos em fevereiro e este mês tem apenas 28 dias.

Quando percebi isso, acelerei e consegui fazer o trabalho de uns três dias em um único dia. Comecei com um Bad Boy. Garanto que funciona bem e não tem contra-indicações. O nome é meio feio. Red Bull é mais nobre, mas muito mais caro. Conheci o produto na pizza dos cartunistas, no ano passado.

O que importa é que vou conseguir cumprir minhas metas e em março, Julius estará de volta à rotina em Sampa!

Qualquer hora, terei coragem de contar tudo que aconteceu.

Acho que tive razão em me manter confiante em relação a ele. Valeu a pena. Estou feliz!

Segunda feira, a mocinha começa o trabalho no escritório daquele jurista. Hoje ele disse que estava em Marília, conectado do notebook. Vai ver que fiz mal em pensar que ele fizesse tipo. Lá isso deve ser verdade, quanto a tipo, mas nao da forma como imaginei.
A tese do meu analista de plantão é de que ele poderá, quando muito, exibir a garota. Mas não vai ser besta em aprontar nada.
Esse analista, que me conhece apenas pela internet há quase seis anos, aposta que o grande alvo continuo sendo eu. E ele está quase conseguindo alcançar a meta, pois pelo menos me dispus a ir ao escritório.
Será?
Por via das dúvidas, amanhã vou ajeitar o cabelo! Eh, eh, eh!
Mesmo pra dizer não, não posso fazer feio!


sábado, fevereiro 15, 2003

Pra vencer a preguiça, vou postar online.

Aconteceu mais uma coisa estranha.
Em agosto do ano passado, recebi um e-mail, através de um desses sites de encontros, de um coroa. Ele se apresentou como jurista conhecido, autor de vários livros. Comentou que é sócio de um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, onde tem até uma foto dele. Mandei também minha foto e ele começou a xavecar, convidando para jantar... e até a acompanhá-lo em viagens, para Brasília (pra ficar no famoso hotel onde Zélia dançou com Bernardo), etc, etc...
Certo dia, comentando uma sentença, acabamos quebrando o maior pau.
Depois, discutimos mais ainda.
Algumas semanas passadas, fizemos as pazes... Isso, depois de ele insistir em me ver e eu acabar dizendo que nao, pois sou apaixonada por outra pessoa (Em parte é verdade... mas, mais por que ainda não cheguei em fase de encarar um "affair" da terceira idade. E eu achei o cara uma múmia).
Combinamos continuar a prosa pelo msn, como "bons amigos", sem essa de paquera.
Um dia vi o sujeito na tv...
Achei-o com maior voz de velho. E cheio de pelancas no pescoço.
Esta semana, ele me pediu para recomendar alguém pra trabalhar com ele.
Com certo receio, mandei a filha de um casal amigo. Mocinha de 19 anos.

Ela fez a entrevista e me ligou eufórica:
"Nossa... Ele é lindo! Parece um garotão!"
Ele a contratou, por um salário muito bom, suficiente para a menina pagar a faculdade dela e da mãe!

Ainda estou confusa.

Será que vai dar zebra?
Será que vai dar bode?
Ou será só grilo meu?
Minhocas?
Ou outro bicho?

Será que vai sobrar pra mim?

Ou... será que vou matar a minha curiosidade e ir ver esse homem?

Aguardem...

quarta-feira, fevereiro 12, 2003

quinta-feira, fevereiro 06, 2003

Eu não me enganei. Aquele rapaz passou na Fuvest!
Nossa! E eu fiquei feliz com a notícia, feito alguém da família. A primeira coisa que fiz na manhã do dia 5 foi ir espiar as novidades no blog dele. Acho que ele está tão... (tsc, tsc!)... elétrico que nem se lembrou de ler aqui. Ou de responder aos meus comentários e e-mails. Mas não perco a esperança!

Também vi a mulher esquartejada. Perdi o apetite. Não sei por que diabos não resisti. Acho que vou virar vegetariana por uns tempos. Hoje fui comer num “quilo”, olhei pras gorduras do churrasco e aquelas cenas apareceram na minha frente. Argh!

Frase de chamada no info do Joliv:
"Para cada mulher que faz um homem de bobo, há outra mulher que faz de um bobo um homem." (Samuel Hoffman).

domingo, fevereiro 02, 2003

Nossa...

Há certas coisas que a gente só dá valor quando a gente recupera!

Minha tv está maravilhosa. Cores lindas, imagens nítidas e enormes! Já nem me lembrava mais. Credo como tá horrível o cabelo da Fátima Bernardes! Parece uma casca de noz... Na tv esfumaçada de 20´´ e no Baby Toshiba, não parecia tão ruim. Sorte dela que a maior parte do povo nao tem tv acima de 29!

Outra coisa maravilhosa... falar nas entrelinhas, online pela internet, com aquela pessoa que faz o coração pular! Ficar esperando ele conectar... Há quanto tempo não sentia essa emoção! Não dava valor a esse contato quando podia pegar no telefone e conversar a qualquer momento.
Males que vêm para o bem!
Que bom que as férias escolares vão acabar!

Que bom que a poeira assentou!

Ufa!

Outra coisa deliciosa: um bife bem temperado e um feijão "crioulo"!




Lindo domingo. Sol ardido.

Esse começo me lembra "Um médico brasileiro no front"
Assim como ele, escrever é sempre boa terapia. Penso que seja assim para a maioria dos blogueiros. Um jeito de refletirmos em cima de nossas ações, nossos pensamentos. E só quem costuma fazer isso pode entender a razão, o modo como isto funciona...

Recebi um e-mail de alguém que chamei de "quase ex-aluno da FEA"... Fiquei feliz em saber que ele continua frequentando esta página.

Ontem, troquei 3 e-mails com Julius... Às vezes a saudade e a distância podem ser coisas muito boas... Fiquei feliz feito a Pomba Enamorada, no dia em que conseguiu escutar a voz daquele mecânico, num telefonema anônimo... rssr
Entre tantas coisas, ele escreveu:

"A vida ficou muito mais complicada depois de todos os acontecidos..
Saudades, do cheiro, da pele, do gozo, dos lábios, dos seios, do sorriso, dos fluidos, das coxas, das costas, do gosto, do pequenos suspiros, dos gritinhos, de você inteira, do tesão, da compreensão e até do silêncio cumpliciado. "


Mas o nosso encontro marcado não deu certo... Caiu maior chuva de granizo. A internet ficou em ritmo baiano. Parou quase tudo. Mas nao fiquei triste.

Ontem, além do quase ex-aluno da FEA, o professor também me escreveu. Segundo o aluno, eu devo tomar cuidado com o professor. Quem será mais perigoso?

Ah.. foi dia de reencontro com outras pessoas distantes e importantes. Apareceu tb o Ti, no icq... Ele está muito mudado. Dos velhos tempos, apenas a paixao por super-heróis, especialmente superman. Tenho saudades do menino que conheci... Mas não tenho saudades da mulher que na época estava entrando na fase dos 40. Comparada a aqueles tempos... ufa.. Nossa, como estou feliz!
Hoje sei que felicidade não é sonhar dividir um teto com um amor.

quinta-feira, janeiro 30, 2003

De Kiko Zambianski
Primeiros Erros

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde vou
Meu destino não é de ninguém
Eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove e chove
Chove e chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove
Chove e chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove
Chove e chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove
Chove e chove


Ele falou da música e completou:
"Dá vontade de saber onde está você..."

Vou dizer o quê?

Tô de coração apertado...

Em alguns anos, lamentamos a falta de chuva. Em outros, choramos pelas catástrofes provocadas por ela. Mas a natureza acaba se equilibrando. E o mundo se transforma. Assim como os costumes, o comportamento... Temos de nos adaptar e ser felizes. Eu estou tentando.

terça-feira, janeiro 28, 2003

Acho que nunca comentei aqui antes.

Minha amiga mais antiga mora no RJ e nos conhecemos quando ambas tínhamos 11 anos. Começamos juntas o "ginásio", aqui em São Paulo. Foi um dos anos mais marcantes de minha vida. Nos aproximamos porque éramos duas desgarradas neste mundo, ambas nisseis. Eu vim morar na casa da minha irmã, enquanto ela estava com os tios e a avó. Muitas voltas no mundo, centenas de cartas trocadas e raros encontros. Quando eu vim novamente para Sampa, ela foi morar definitivamente com a mãe, no Rio. Retomamos contato pessoal depois da faculdade pois ambas estudamos Comunicações. Ela, publicidade e eu, jornalismo. Havíamos nos casado com pessoas que igualmente trabalhavam no setor, na área artística. Eu tive uma filha e ela, com aquela convicção de que não se deve colocar mais um ser para sofrer neste mundo... Nossos casamentos desmoronaram enquanto retomamos contato pela internet. Nos aproximamos outra vez. Tivemos nossa primeira paixão da maturidade na mesma época e trocamos mil confidências, num clima adolescente. Comecei a escrever neste blog... Nossos romances naufragaram... choramos, sofremos. E eu não tive mais coragem de falar de meu novo amor. E ela, que inicialmente adorou o blog parece que não tem mais saco pra ler. Agora só trocamos farpas por e-mail. Pena! Não falamos mais a mesma língua! Olha só o que ela me escreveu:

"Da mesma forma como Barro Branco faz parte do contexto paulista, creio que a expressão "ficar de flozô" (ficar à toa, portanto correta a sua inferência de que a palavra seria sinônima de ociosidade) deve fazer parte do linguajar daqui."

E depois, nós paulistas é que somos tucanados? Que droga!

Ela tá de bronca desde que se empolgou pra conhecer meu amigo Eduardo...e ele saiu pela tangente. Disse que não gosta de "moça oferecida"... eheheheheh...

Bom.. Escrevi tudo isso pra conferir se ela não lê mesmo este blog!

No outro dia, escrevi que tinha mais dois leitores, além do blogueiro vestibulando e do catarinense de Tubarão. Aí, me lembrei de uma nova leitora que identifiquei como sendo de Pinheiros. Agora ela me escreveu retificando. Fui conferir o que eu postei... E não é que o post daquele dia sumiu? Mistério...

Enfim, havia dito que além dela, tem um professor da FEA e também um outro rapaz que conheci pela Internet.

Ontem postei um longo texto, do livro "As Pontes de Madison" . Embora no "safe mode" fique em itálico, quando vou pra web, fica tudo embaralhado.

Deletei o link da Anastácia... Tava dando maior nó.

Socoooorro, Luiz! Seja bonzinho e me passa as "colas", vai...

segunda-feira, janeiro 27, 2003

Essa caca que ficou o post anterior, nao vou mexer mais... Não descubro o que eu fiz de errado!

O casamento da sobrinha foi um sucesso. Fomos a família toda e ficamos numa pousada da Cemig, na beira da represa. Chegamos sexta à noite e comparecemos pontualmente à cerimônia religiosa, realizada às 11 horas.Estávamos todos muito curiosos em relação ao noivo. Além da família de meu irmão (pai da noiva), apenas minha filha conhecia o rapaz. E ela insistia em dizer que era igualzinho o "Nerso da Capitinga"... Bom... digamos que ela tinha razão. Só que o rapaz é muito mais mineiro e tem pelo menos 1,90m. Foi tudo muito informal e divertido, ao som de "A Bela e a Fera"(muito adequado, sem maldade...r srsrsr..) e "Como é grande o meu amor por você", cantada por um rapaz cego de voz fantástica.

Depois, uma típica festa mineira do interior, com feijao tropeiro, leitão, lingüiça, tutu e feijão amassado. Tinha também muitos doces da fazenda, aos quais resisti bravamente. Fiquei só com um pedaço de bolo. Minha mãe se esbaldou feito criança fazendo arte, aproveitando para fugir da vigilãncia que fazemos por causa da diabetes.

Dividi o quarto duas noites com minha mãe. Ela fará 87 anos em maio. Deu um aperto no coração ver que não acompanhei direito o transcorrer destes últimos anos, em que a idade começa a pesar bastante.

Sobre isso, sempre comento com minha querida amiga "Alice"... de como é difícil fazermos parte da geração que se aperta entre a velhice e a adolescência. Somos nós a resolver tudo: os conflitos dos filhos adolescentes (falo genericamente pois só tenho uma) e de nossos pais que se recusam a aceitar as limitações da idade. Mal sobra espaço para os nossos próprios conflitos.

Na volta, a primeira coisa que vi foi um e-mail de Julius, falando de "As pontes de Madison" :

Adorei este filme, emocionou-me muito e me fez refletir sobre tantos sentimentos que deixei passar e de tantas possibilidades que ficaram esquecidas...

E sobre o TEMPO:

"Às vezes parece que faz tanto tempo que estou longe de você...
Às vezes sinto que estou com você sempre ao meu lado.
Às vezes acho que isso não importa.
Importa o tempo em que a felicidade parece infinita."


Eu também vi esse filme... Assisti porque um dos primeiros grandes amigos virtuais que eu tive o mencionou. Foi aquele coronel misterioso de Brasília, o tal da "guerra eletrônica". Na primeira oportunidade, vi na tv. Depois, quando a fita foi vendida nas bancas, se não me engano pela "Caras", sugeri ao Carioca que visse... Ele disse que não achou no Rio... E agora, lá vem Julius me falar desse romance!

Vou colar aqui a carta deixada pela personagem principal aos seus filhos, para ser lida após a morte:

Queridos Filhos,
Ainda que me sinta bem, creio que é hora de por minhas coisas em ordem. Existe algo muito importante, que vocês devem saber.

Para mim é difícil escrever isto a meus próprios filhos, mas devo fazê-lo. Aqui há algo que é demasiadamente forte, demasiadamente belo, para que morra comigo.


Como já descobriram, se chamava Robert Kincaid. Era fotógrafo e esteve aqui em 1965, fotografando os pontes cobertos.Recordam como a cidade estava emocionada quando as fotos apareceram no National Geographic? Recordam também que por essa época comecei a receber a revista. Agora conhecem o motivo de meu repentino interesse. A propósito eu estava com ele( levando uma das mochilas com as câmaras), quando tomou a foto da ponte Cedar.

Entendem que amei ao pai de vocês de uma maneira tranqüila. Ele foi bom comigo e me deu vocês dois a quem amo muito. Não o esquecem. Mas Robert Kincaid foi muito diferente. A primeira vez que o vi foi quando me pediu orientação para chegar a ponte Roseman. Vocês e seu pai estavam na Feira Estadual de Illinois. Creia-me, eu não andava buscando nenhuma aventura. Isso era o último que ocupava minha mente. Mas ao mirá-lo soube que o desejava, ainda que não tanto como cheguei a desejá-lo depois.

Ele era um pouco tímido, e eu tive tanto que ver com o que passou como ele. A nota guardada junto com sua pulseira é a que eu preguei na ponte Roseman para que ele a vira, na manhã depois de conhecermos. As fotos minhas que ele conservava foram a única prova que ele teve, ao longo dos anos, de que eu existia, de que não era algum sonho que ele havia tido. Em nossa velha cozinha, Robert e eu passamos horas juntos. Falamos e dançamos a luz das velas. E, sim, fizemos amor ali e no dormitório e no jardim e em qualquer outro lugar que pensem. Era uma relação incrível, poderosa, transcendente, e continuou durante dias, quase sem parar. Sempre tenho empregado a palavra forte ao pensar nele. Porque assim era quando nos conhecemos. Era como uma flecha na sua intensidade. Filhos, compreendam que trato de expressar algo que não se pode dizer com palavras. Só desejo que algum dia os dois possam viver o que eu experimentei.
Se não fosse por seu pai e por vocês, eu teria ido a qualquer lugar com ele. Ele me pediu, me suplicou que o acompanhara. Mas eu não pude fazê-lo e ele era uma pessoa muito sensível e afetuosa para nunca interferir nas nossas vidas.

O paradoxo é que se não houvera sido por Robert, nào estou segura de ter podido permanecer na granja por todos esses anos. Em quatro dias me deu toda uma vida, um universo, e uniu em uma só as partes separadas de mim. Nunca tenho deixado de pensar nele, nem por um momento. ainda quando não se achava em minha mente consciente, o sentia em alguma parte, estava sempre ali.

Mas isso nunca diminuiu o que sentia por vocês dois e pelo seu pai. Ao pensar só em mim por um momento, não estou segura de ter tomado a decisão correta.Mas tendo em conta a família, creio com bastante certeza que sim.

Não quero que sintam culpa ou lástima por nós. Só quero que saibam o quanto amei a Robert Kincaid. Eu o senti dia após dia, durante todos estes anos, o mesmo que ele. ainda que nunca mais voltamos a nos falarmos, permanecemos unidos tão estreitamente como é possível que se unam duas pessoas. Não consigo encontrar as palavras para expressar-lo da forma adequada. Ele o fez melhor quando me disse que tínhamos deixado de ser dois seres separados, e , em troca, nos tínhamos convertidos em um terceiro, formado pelos dois. Nenhum de nós dois existia independentemente deste ser. E esse ser ficou sem rumo.
Não me envergonho do que Robert e eu vivemos juntos. Eu o amei com desesperação durante todos esses anos, ainda que ,por minhas próprias razões, somente uma só vez tratei de entrar em contato com ele. Foi depois da morte de seu pai. O intento fracassou e temi que houvesse acontecido algo, Assim nunca mais voltei a tentá-lo, por causa desse medo. Simplesmente não podia enfrentar essa realidade. De maneira que agora podem imaginar o que senti quando soube da sua morte.
Como disse, espero que compreendam e não pensem mal de mim. Se me amam, devem amar o que fiz. Robert Kincaid me mostrou como era ser mulher de um modo que poucas mulheres experimentaram. Era atraente e carinhoso, e por certo merece o respeito e talvez o amor de vocês. Espero que podem dar-lhe as duas coisas. a seu próprio modo, através de mim, ele foi bom com vocês.
Que sejam felizes, meus filhos.
Mamãe

segunda-feira, janeiro 20, 2003

Diz um amigo meu, em seus e-mails de autoajuda:
“Todos os dias você tem a escolha de ser feliz ou não!”

Hoje escolhi ser feliz!

Impressionante... Bastou um e-mail saudoso “dele” pra eu ficar legal. Estava aflita desde o dia 23 de dezembro! Dava minhas voltas, buscava outras causas pra minhas inquietações. Evitei admitir.

De repente, o céu se abriu. E houve um efeito dominó de fatos positivos!

Não, não é nada disso!

Deve ser porque levantei o astral que vejo a alegria, a felicidade nas coisas mínimas:
- Depois de meses com problemas, consegui desobstruir o encanamento da área de serviço (vinha adiando há meses, com medo de ter de quebrar tudo!)
- Consegui pagar quase todas as contas em dia!
- Minha gata sossegou!
- Minha filha passou pelo exame de saúde!
- Consegui fechar uma edição!
- Minha amiga de NY me escreveu. E está tudo bem com Lucas, o sobrinho dela que fez transplante em julho!

quarta-feira, janeiro 15, 2003

Nossa! Como tem gente que faz questão de se comunicar do modo mais complicado possível!
Não sei se é vício, cacoete... ou é só pra fazer pose! Hoje, uma pessoa me falou:

“Você gera material para agências de propaganda? Material gráfico”?

Eu comentei:

“Nossa, como você é tucanado. O que você quer saber? Se eu faço anúncios? Se faço desenho publicitário? Se executo trabalhos encomendados por agências? Se contrato agências?”

Ele queria recomendar a empresa de um amigo de infância, me passou o site do cara. E eu fiquei sem saber o que eles queriam. Pode? Isto é porque eles trabalham com comunicação!

terça-feira, janeiro 14, 2003

Pensamentos positivos.

Preciso acreditar!

Sei que ainda tenho pelo menos dois leitores... São dois rapazes. Melhor que nada, né?

De Julius:



Somos seres mutantes, a vida nos transforma conforme a necessidade, mas nossa essência e a química não se alteram nunca. O que eu sinto por você (não sei qual seria o termo adequado, mas algo muito especial) nunca irá mudar...

Obrigado pelas palavras, pelo carinho, pela energia positiva,
obrigado pelo prazer, pelo calor, pelo amor, pelo tesão,
obrigado pelo sorriso, pelo cheiro, pelo colo, pelo ouvido...
Obrigado sobretudo pela compreensão...


O que pensar disso tudo?

Devo pensar que é positivo, que é bom.

Estamos sofrendo sim... Mas acredito que será pra chegarmos ao fim do túnel, sãos e salvos.

Dói.

Choro

Mas estou feliz, apesar desse peso todo.

Vou resistir, vou aguentar... vou conseguir!

Acho que a tempestade me ajudou a rever os sentimentos. A sentir algo muito além...

Dói... mas sinto-me viva, humana...

* * * * * * *

Ontem, deletei definitivamente o endereço daquela "amiga" do outlook. Incomodava-me dar de cara com o nome dela toda vez que ia espalhar e-mails que achava interessante.
Incomoda-me admitir que gostava de conversar com ela quase que diariamente pelo icq. Acreditei que fosse mesmo minha amiga... era um papo bom, para espairecer minhas manhãs. Rimos muito... discutimos amenidades.

Que bobagem! Mas aquele episódio roubou muita energia de mim... Ainda sinto dores nos machucados. Estão quase que cicatrizados, mas incomodam ainda. Chato? É sim... Mas também é sinal de que não consigo se de pedra.

No domingo, Titi me explicou um pouco sobre a partida da irmã dela, a minha grande amiga Ju. Ainda é difícil para mim, compreender como alguém possa ter sido tão injustiçada, sendo aquela fortaleza e sendo aquele exemplo de fé e sobriedade.
Então, Titi lembrou de Cristo...
Acho que consegui entender um pouco...
Entendi também a partida de José Manuel também para uma viagem sem volta. Foi apenas um mês desde que confirmaram o câncer. Eu sabia que aconteceria a qualquer momento, mas é difícil aceitar, difícil me conformar.

Deve ser a tal "síndrome da meia-vida" de que me falou Braindoctor.
Ainda bem que já atravessei mais da metade... espero chegar aos 50 muito bem comigo mesma!

sexta-feira, janeiro 03, 2003

Outra mensagem linda, de minha amiga Alice:

Desejo para você um verão com brisa de mar (plagiando seu grande amigo), um outono com toque saudável de recolher e saborear os frutos, um inverno com tardes bem quentinhas e companhias agradáveis de quebrar o gelo, uma primavera bem criativa e alegre. Enfim, espero que tenha dias e noites inesquecíveis em 2003. Tente reservar um tempinho para nos ver e falar de nossas fases e estações. Muita paz, saúde e
amor pra você, sua família, seus amigos e bichinhos.


Por que as pessoas não são assim? Porque não tentam escrever de coração, em vez de enviar tantos e-mails lindamente editados, copiando frases, poemas, textos de outras pessoas, muitas vezes com autoria trocada?

quinta-feira, janeiro 02, 2003

Chorei uns cinco minutos ao ler isto, na manhã de ontem:


Vínculo de uma vida inteira, única testemunha ocular de nossa juventude estudantil: Feliz 2003!!!
O dia no Rio amanheceu ensolarado e silencioso após uma noite repleta de brilhos no céu.
Fomos todos à praia esperar o novo ano e, mais uma vez, com um quase total despojamento. Levando só o necessário: cadeiras de praia, toalhas e lentilhas. Ah, e a máquina fotográfica!
Passar o ano descalço, sentindo a água do mar deliciosamente gelada tocar o corpo, dar as mãos aos parentes queridos e ver, no horizonte, o infinito entre o céu e o oceano é fantástico. Quando a meia-noite se aproxima, a quantidade de pessoas aumenta. Fervilham em branco, prata, amarelo e bronze, na beleza que nenhum grego pensou eternizar e na breguice suburbana que Fellini assinaria sem piscar. Crianças, velhos, jovens apaixonados, matronas, pessoas de todas as tribos caminham, param diante do mar, jogam flores, velas e esperanças. Dançam em um ritual de alegria e liberdade que só consigo observar de longe. Nessa noite, não há ridículo. Tudo maravilhosamente caótico, babilônico, pagão e cristão, ecumênico.
E então, num climax, começam a surgir no céu brilhos maravilhosos que se refletem no mar, em toda orla. As pessoas se abraçam, se beijam, chegam a tomar banho de champanhe! Uma apoteose.
Outras vão ao mar e oram. Outras, como eu, vão e dão 14 pulos. Para mim e para minha amiga que ficou em casa, com a família, vendo o espocar de 2003 sobre a cidade cinza.
O retorno foi tranqüilo e, só por volta das 1h30, ceiamos. Mas já estávamos saciados de felicidade. Felicidade de estarmos juntos e com esperanças.


Vínculo de uma vida inteira...

Ainda me lembro do garoto desajeitado, meio gordinho, de camisa xadrez e calça jeans que eu conheci antes dos 20 anos. Um dia uma palavra, outro dia, duas... e logo nasceu a turma! Turma que tomava chá em final de Copa de Mundo, que suspirava diante de uma escultura, inchava os olhos com um filme, ria dos Anos Incríveis que só veríamos duas décadas depois na tv. Eram uns 4 rapazes e duas garotas: eu e uma chinesa de nome americano e cidadania holandesa. Havia também uma outra garota que amava teatro e tinha o sobrenome de uma grande empresa de ônibus da época. E uma baixinha com nome e jeitinho e personagem de Monteiro Lobato. Um dos rapazes era sósia de um famoso jogador de futebol, enquanto outro tinha pinta de motoqueiro da Juventude Transviada.

E só restamos nós...

Dois morreram de verdade. Outros... foram tragados pelo tempo!

A saudade dói sim... Mas é muito bom saber que pelo menos somos dois a resgatarmos estas lembranças...